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As dez mais de 4 de dezembro

Qui, 04/12/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Governo tenta reagir contra onda de demissões
Aparentemente convencido de que a crise há muito deixou de ser apenas uma “marolinha”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva botou sua equipe econômica para trabalhar num pacote de medidas que possa atenuar os efeitos das demissões em grandes empresas. O sinal amarelo (ou talvez já vermelho) foi aceso após a Vale anunciar que vai demitir 1,3 mil funcionários. Segundo O Globo, o governo pode aumentar de cinco para dez o número de parcelas do seguro-desemprego, sem contar uma possível ajuda às empresas por meio de redução de impostos sobre o lucro e a produção. A situação é mesmo preocupante: pelo menos 121.500 trabalhadores devem entrar em férias coletivas no início de 2009.

2. Caixa desiste de comprar construtoras
Com a edição da Medida Provisória 443, o governo permitiu à Caixa Econômica Federal comprar participações diretas no capital de construtoras e incorporadoras, por meio da CaixaPar. Mas, para alívio do setor, o banco estatal abdicou desse direito, aceitando um dispositivo da Câmara que proíbe a compra do controle das companhias pela CaixaPar. O Valor Econômico informa que o socorro vai vir apenas por meio de uma linha de capital de giro de R$ 3 bilhões. Os empresários temiam que o banco, dotado dos poderes da MP, promovesse uma grande reestruturação do segmento.

Política
3. Paulinho e sua Força

O deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, tinha tanta certeza de que seria absolvido no Conselho de Ética da Câmara, ontem, que ele nem se deu o trabalho de acompanhar a sessão. Preferiu participar de uma manifestação de sindicalistas na Esplanada dos Ministérios. O relator do caso, deputado Paulo Piau (PMDB-MG), defendia a cassação de Paulinho, acusado de participar de um esquema de desvio de recursos do BNDES. No entanto, terminou desmoralizado, porque nem colegas de partido no Conselho seguiram seu voto. Para a colunista do Estadão Dora Kramer (para assinantes), Paulinho foi absolvido “porque ninguém quer briga não com o deputado, mas com o presidente da Força Sindical”.

Enchentes
4. Governo de SC pede suspensão de doações

As cenas de privações passadas pelos flagelados das enchentes em Santa Catarina realmente estimularam o resto do país a se solidarizar com o problema. Foram tantas as doações que o governo catarinense pediu a suspensão do envio de mantimentos pela simples falta de espaço para armazená-los, como informa o portal G1. Só espera-se que, com os depósitos lotados, haja comida, remédios e roupas suficientes para os desabrigados. Uma nova central de arrecadação e distribuição de doações está sendo montada em Florianópolis e deve funcionar a partir da semana que vem. Por enquanto, o que o Estado pede são doações em dinheiro.

Saúde
5. O estranho caso do sul-africano morto no Rio

Está causando preocupação nas autoridades de saúde do Rio de Janeiro a morte de um engenheiro sul-africano, ocorrida na última terça-feira. Ele faleceu em decorrência de uma febre hemorrágica, mas a causa ainda não foi descoberta. A principal suspeita é de contaminação por arenavírus, transmitido pela urina ou fezes de ratos portadores do microrganismo. Como informa o Globo Online, essa forma do vírus supostamente presente no corpo do engenheiro teria causado quatro mortes numa clínica da África do Sul e seria extremamente contagiosa. O estrangeiro será cremado, mas especialistas em doenças contagiosas do Ministério da Saúde continuarão analisando amostras de sangue e do fígado para saber exatamente o que ocorreu.

6. Brasil faz transplante duplo de células-tronco de cordão umbilical
Uma recente técnica médica desenvolvida nos Estados Unidos está sendo utilizada no Brasil para quem precisa de transplante de medula óssea, mas não encontrou doador compatível na família nem em bancos de doadores. Trata-se do transplante duplo de células-tronco de cordão umbilical em adultos, um procedimento já realizado seis vezes no país, com resultados promissores. A vantagem dessa técnica, segundo a Folha (para assinantes), é a maior chance de o paciente encontrar um doador, pois o sangue do cordão não precisa ser 100% compatível com o dele. A desvantagem é que a medula demora mais para voltar a produzir defesas, na comparação com o transplante comum.

7. País quer manter fabricação de bombas
O Brasil é visto há tempos como um país pacífico. No entanto, o governo não quer assinar um acordo internacional que proíbe a fabricação de bombas de fragmentação (cluster, em inglês). Cerca de 90 dos 192 países filiados à ONU devem ratificar o documento e banir esse armamento, considerado polêmico pelos danos causados a civis - as bombas liberam centenas de fragmentos explosivos ao serem lançadas e podem fazer vítimas numa área equivalente a quatro campos de futebol, diz a BBC Brasil. O governo diz que não concorda com o acordo por julgar as cluster um “armamento necessário para a defesa nacional”.

Mundo
8. Hispânico vai chefiar pasta de Comércio dos EUA

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, escolheu o governador do Novo México, Bill Richardson, para ocupar um posto-chave na estrutura da Casa Branca: o de secretário do Comércio. De ascendência hispânica, Richardson foi um dos rivais de Obama durante as prévias do Partido Democrata. Com a nomeação, diz o jornal The Washington Post, “Obama quebra uma tradição, colocando um homem com longa carreira nos círculos estatais em uma função que vinha sendo ocupada por executivos do setor privado”. O Estadão lembra um detalhe que pode nos ser útil: Richardson é um admirador do etanol brasileiro e se diz favorável ao livre comércio.

9. EUA: enfraquecidos, mas ainda líderes
Um editorial do The New York Times desta quinta-feira afirma que as últimas análises publicadas sobre o futuro geopolítico do mundo nas próximas décadas podem até trazer um cenário nebuloso para os Estados Unidos, mas não são uma sentença de morte do poderio americano. “Este país pode e precisa continuar a ser líder”, diz o Times, argumentando que a pulverização de poder entre nações emergentes pode ser benéfica para os EUA. “Isso poderia persuadir outros países a terem mais responsabilidade sobre problemas como terrorismo, mudanças climáticas e segurança energética”.

10. Equador usa advogados dos EUA para questionar dívida com o Brasil
O Equador, assim como Bolívia e Venezuela, sempre aproveita alguma oportunidade de criticar decisões do governo dos Estados Unidos. Mas o antiamericanismo é relativo. O governo equatoriano contratou justamente um escritório de advocacia americano, o tradicional Foley Hoag LLP, de Boston, para representá-lo no questionamento de uma dívida de US$ 554 milhões com o Brasil. Segundo O Globo (íntegra para assinantes), o caso deve se tornar uma ação de litígio num tribunal de Nova York. E o curioso (e irônico) é que o Foley Hoag também tem prestado serviços para bolivianos e venezuelanos.

As dez mais de 3 de dezembro

Qua, 03/12/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

Economia
1. A crise chega aos números oficiais

Com destaque em todos os jornais (é manchete no Estadão), os resultados da produção industrial de outubro, segundo o IBGE, foram mais sombrios que o esperado por cenários pessimistas: o crescimento em relação ao mesmo mês de 2007 foi de apenas 0,8%. Na comparação com setembro deste ano, queda de 1,7%. Os pesquisadores do IBGE dizem que é preciso esperar o desempenho de novembro e dezembro para ter uma melhor idéia dos efeitos da crise, mas o freio na indústria fez ressurgir projeções de que a economia brasileira pode apresentar recessão técnica (dois trimestres seguidos de queda) em 2009. Como diz o Blog do Fucs, no site de ÉPOCA, “quem seguir a sugestão de Lula e gastar seu dinheiro agora, acreditando que, com isso, estará evitando o aprofundamento da crise no país, poderá se dar mal”. O ano que vem deverá ser de privações.

2. Montadoras americanas pedem US$ 34 bilhões ao governo
As chamadas “Big Three” (Três Grandes) do setor automobilístico americano – Chrysler, Ford e GM – apresentaram ao Congresso um plano de auto-salvamento em que pedem US$ 34 bilhões em empréstimos oficiais, sob a alegação de que podem entrar em colapso se não receberem ajuda até o fim do mês. Só a GM quer R$ 18 bilhões, US$ 6 bilhões a mais do que a própria empresa havia dito que precisaria há apenas duas semanas. Segundo o The Wall Street Journal, as três montadoras afirmam que vão “consolidar suas operações e acelerar a produção de carros mais eficientes”. GM e Ford garantem que vão entrar nos eixos da austeridade administrativa. Pode até ser que isso ocorra, mas boa parte da situação calamitosa dessas gigantes foi provocada por elas mesmas, por meio de uma gestão pouco preocupada com inovações e controle de gastos. Agora, também querem entrar no grande saco de dinheiro do governo americano. Onde estará o fundo?

3. Índia diz que não fará concessões na Rodada de Doha
O chanceler brasileiro, Celso Amorim, não se cansa de ter otimismo em relação à conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio, para a liberalização mundial das relações comerciais. O problema é que o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath, um dos principais atores entre os países emergentes, não se cansa de despejar água fria na cabeça de Amorim. Segundo o Valor Econômico (para assinantes), Kamal reafirmou que seu país não tem nenhuma intenção de mostrar flexibilidade na reunião de ministros que deve ocorrer na próxima semana para discutir o assunto. Com a Índia focada em conter o avanço do terrorismo, deflagrado pelos múltiplos atentados em Mumbai, é mesmo bem improvável que os indianos dêem atenção para um assunto sobre o qual há muitas divergências. O sonho de Amorim não acabou, mas deve ficar para um próximo capítulo.

Justiça
4. “O acusado não cessa. Insiste, alardeia, ilude e intimida.”

O acusado a que se refere o trecho acima é o banqueiro Daniel Dantas, e o excerto faz parte da sentença do juiz federal Fausto Martin De Sanctis que condenou Dantas a dez anos de prisão e a uma multa de R$ 12 milhões por ter supostamente tentado subornar um delegado da Polícia Federal. O tom do documento contra Dantas é duro, como se vê pelas frases já citadas e por outros trechos, nos quais é atribuído ao banqueiro um “sentimento de desprezo pelas instituições públicas brasileiras”. O Estadão lembra que Dantas ainda mantém as prerrogativas de réu primário (suas duas prisões anteriores ocorreram na condição de investigado) e que pode recorrer em liberdade. O banqueiro só vai para a cadeia se a pena for mantida em última instância. E, como lembra o jornal, “demanda dessa natureza e complexidade geralmente leva anos a fio para chegar ao lance derradeiro”.

Administração
5. Prefeitura de SP vai cortar R$ 2,2 bi do orçamento de 2009

Em ação combinada com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o vereador Milton Leite, do mesmo partido, apresentou seu projeto para o orçamento do município em 2009 com um corte de R$ 2,2 bilhões em relação ao que estava previsto. Segundo Leite, que é relator da proposta orçamentária, a cidade não tem mais condições de atingir a receita estimada de R$ 29,4 bilhões no ano que vem, por conta dos efeitos da crise econômica mundial – a arrecadação e os repasses federais devem minguar. A Folha (para assinantes) diz que nem áreas sensíveis, como educação e saúde, vão se livrar dos cortes, que devem se concentrar nos investimentos.

Serviços
6. O telhado de vidro do governo na história dos call centers

O governo decidiu botar ordem no caótico serviço de atendimento telefônico a clientes, no qual o consumidor está acostumado a esperar longos minutos e nem sempre ter sua solicitação atendida. Por um decreto que passou a valer na última segunda-feira, o cliente pode esperar, no máximo, 60 segundos na linha para resolver seu problema (no caso de serviços financeiros, de 45 a 90 segundos). Mas os próprios serviços telefônicos de agências reguladoras do governo, que têm a incumbência de cobrar o respeito à nova lei, apresentam as mesmas falhas, como revela um teste feito pela Folha (para assinantes). No caso do atendimento da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o contato com o consumidor já começa com uma suspeita: “Caso você realmente necessite de atendimento, tecle 1.” E um operador só atendeu a ligação dois minutos depois. As agências não são obrigadas a cumprir o decreto, lembra o jornal, mas deveriam ao menos dar exemplo, até por seu papel fiscalizador.

Saúde
7. Unha-de-gato pode virar arma antidengue

A popular unha-de-gato, planta muito comum na jardinagem para “forrar” muros, pode ser uma futura arma nas campanhas contra a dengue. Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) descobriram que o princípio ativo da espécie atua diretamente na produção de citocinas, proteínas ligadas à resposta inflamatória do organismo. Com isso, diz o Estadão, há uma redução da chance de agravamento da dengue. Este é o primeiro passo para o desenvolvimento de um medicamento natural contra a doença, embora não seja capaz de preveni-la (como uma vacina). Hoje, o tratamento padrão para pacientes com dengue é mantê-los hidratados.

Mundo
8. EUA pressionam o Paquistão a ajudar nas investigações dos atentados
Ao mesmo tempo em que os Estados Unidos tentam acalmar os ânimos entre Índia e Paquistão após os atentados em Mumbai, também pressionam o governo paquistanês a colaborar efetivamente no combate a grupos terroristas sediados em seu território. É o que relata o jornal The New York Times. O recém-eleito presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, disse que vai cooperar, mas só no discurso não adianta. É sabido que as autoridades paquistanesas não têm controle total sobre a atuação de grupos radicais em algumas regiões do país, o que traz preocupação para os indianos. A instabilidade do Paquistão já faz surgir propostas extremas, como a de Robert Kagan, um veterano diplomata americano ligado aos republicanos. Em artigo no The Washington Post, ele sugere que algumas áreas do país asiático sejam cedidas a uma administração internacional para combater o terrorismo – uma espécie de intervenção branca na soberania paquistanesa. Será preciso chegar a esse ponto?

9. Chávez se autoproclama pré-candidato à reeleição em 2012
O gosto de Hugo Chávez pelo poder é notório, e parece que só faz aumentar. O presidente venezuelano agora se autoproclamou pré-candidato presidencial para 2012, quando ocorrem novas eleições. Isso só seria possível se fosse aprovada, em referendo, a proposta de reeleição ilimitada – o que foi rejeitado no ano passado. Mas Chávez pressiona seu partido, o PSUV, a reapresentar a sugestão, como informa O Globo. O presidente está no poder desde 1998 e já foi reeleito em 2006. A oposição, é claro, já está chiando. Disse que a Venezuela não quer um rei.

10. Novos protestos contra Evo Morales na Bolívia
Depois de quase dois meses de trégua entre governo e oposição na Bolívia, novos protestos devem ocorrer contra o presidente Evo Morales por causa da prisão de 25 opositores, acusados de atos violentos na onda de manifestações ocorrida em setembro. A BBC Brasil informa que estão previstas, nesta quarta-feira, passeatas nos estados de Tarija, Beni e Santa Cruz, onde a oposição é mais presente. A queda-de-braço continua em torno da aprovação de uma nova Constituição, que precisa passar por referendo, marcado para 25 de janeiro do ano que vem. A oposição discorda de vários pontos do projeto da nova Carta, alegando que Morales pretende ampliar seu poder.

As dez mais de 2 de dezembro

Ter, 02/12/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Os EUA estão oficialmente em recessão
O que era óbvio se tornou oficial ontem, com a divulgação, pelo Escritório Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), de que a economia dos EUA está em recessão. Como a notícia já era esperada, o mais importante agora é saber até quando a economia continuará regredindo. Em sua manchete, o Los Angeles Times destacou que especialistas acreditam haver uma grande possibilidade de a recessão durar todo o ano de 2009 e entrar em 2010. Segundo um professor da universidade UCLA, há um clima de “muito medo e preocupação” e os sinais emitidos pelo governo mais confundem do que aliviam a população. Está claro que, puxado pelos EUA, o mundo caminha para a recessão. E nem os responsáveis pela economia sabem o que fazer para conter a desaceleração.

2. Paulson e Bernanke: mais palavras e pouca ação
O jornal The New York Times também afirma que a recessão deve ter longa duração e destaca as palavras da dupla Ben Bernanke e Henry Paulson. O primeiro, chefe do Fed (o banco central dos EUA), sinalizou a redução dos juros para menos de 1%. Já Paulson, o secretário do Tesouro, passou o dia falando sobre “novas maneiras” de usar os fundos bilionários aprovados pelo Congresso, mas entre essas possibilidades não cogita ajudar cerca de 4,5 milhões de americanos que podem perder suas casas por não conseguir pagar a hipoteca. O que Paulson parece não perceber é que, ao ver o governo doando bilhões a grandes empresários e esquecendo a população, os americanos continuarão com medo de gastar, dando continuidade à recessão.

3. Goldman Sachs terá perda bilionária
O The Wall Street Journal (para cadastrados) destaca nesta terça-feira que o banco Goldman Sachs, que vinha sofrendo efeitos menores da crise do que seus rivais, vai anunciar uma perda líquida de US$ 2 bilhões no trimestre que termina em novembro, graças a fortes baixas contábeis na maior parte de seus negócios. O WSJ afirma que o banco deve perder cerca de US$ 5 por ação, muito mais do que os US$ 0,98 que eram previstos pelo mercado. Ontem, dia em que o Down Jones caiu quase 8%, as ações do Goldman Sachs fecharam com queda de 16,75%.

Santa Catarina
4. Defesa Civil subestima número de desaparecidos

Uma reportagem do Estadão de hoje mostra que os problemas em Santa Catarina são tantos que nem mesmo os dados oficiais da Defesa Civil estão corretos. De acordo com o jornal, o número de desaparecidos é de 84 pessoas, e não de 31, como informa a Defesa Civil. O Estadão chegou a esse número ouvindo prefeituras, bombeiros e oficiais municipais da Defesa Civil em seis cidades. O órgão reconheceu que seus números podem estar subestimados e que pode levar semanas para obter um quadro completo. A reportagem, mais do que uma crítica ao órgão, mostra que a situação é precária no Estado.

5. Meta contra o desmatamento ainda é “tímida”, diz Minc
O governo lançou ontem o Plano Nacional Sobre Mudanças do Clima e o principal destaque, como mostra a Folha (para assinantes), é a declaração do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, de que as metas ainda são tímidas. Minc afirmou que o plano será revisto anualmente para que eventuais falhas sejam corrigidas, e alertou que a União precisará de ajuda dos governos estaduais e da sociedade civil para cumprir o programa. A idéia de um plano nacional para combater as mudanças climáticas certamente é interessante. O problema é saber como, e se, o Brasil conseguirá contrariar sua história e tirar do papel uma série de boas idéias e intenções.

Brasil
6. Justiça nega a Dantas acesso a inquérito contra Protógenes

A Folha (para assinantes) traz uma reportagem hoje sobre a rejeição, pela terceira vez, da abertura na íntegra do processo contra o delegado federal Protógenes Queiroz, pedida pela defesa de Daniel Dantas, banqueiro investigado pelo delegado na Operação Satiagraha. Como explica a Folha, a defesa de Dantas pretendia, se tivesse acesso ao inquérito, adiar a decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis, que julga o banqueiro por tentativa de suborno de um policial federal. A terceira rejeição consecutiva da abertura do processo contra Protógenes não é apenas mais um capítulo da histórica Satiagraha. Agora o caminho está totalmente aberto para que Dantas seja condenado pela Justiça, dessa vez com possibilidades muito mais remotas de ser libertado.

7. Paes vai cancelar medidas de Cesar Maia
O futuro secretário da Casa Civil do Rio, Pedro Paulo Carvalho, confirmou ao jornal O Globo que o primeiro decreto de Eduardo Paes na prefeitura trará uma lista de cancelamentos e revisões de decisões que o atual prefeito, Cesar Maia, tomou às pressas. Entre as decisões há contratações, reajustes e até uma licitação no valor de R$ 10 milhões que será realizada em 30 de dezembro. Depois de uma gestão tão polêmica, com tantos inimigos e tantas críticas, é mais difícil pensar que Maia fez os projetos pelo bem da cidade do que para colocar Paes na fogueira, complicando o início de seu mandato.

Mundo
8. A dobradinha Obama-Hillary vai vingar?

O The Washington Post traz nesta terça-feira uma reportagem projetando a atuação da senadora Hillary Clinton como secretária de Estado do presidente eleito, Barack Obama. Para o WP, o sucesso de Hillary vai depender muito da abertura que Obama dará à ex-rival das prévias democratas nos círculos restritos da Casa Branca. O cargo de Hillary é fundamental dentro do governo americano, mas o jornal diz que ela “não tem experiência em administrar uma grande burocracia estatal”. Sem dúvida, é uma escolha de risco equivalente à fama da estrela democrata.

9. Índia pede extradição de terroristas
O governo da Índia anunciou hoje que desistiu de promover uma reação militar aos ataques ocorridos em Mumbai na semana passada, mas pediu ao Paquistão que extradite terroristas supostamente localizados em território paquistanês. Como informa o jornal britânico The Guardian, agentes indianos dizem que os atentados múltiplos foram organizados por militantes do Lashkar-e-Taiba, um grupo extremista da região da Caxemira com base no lado paquistanês. O Paquistão ainda não se pronunciou sobre o pedido da Índia.

10. Premiê tailandês acata ordem de deixar o cargo
O primeiro-ministro da Tailândia, Somchai Wongsawat, anunciou que vai acatar a ordem da Suprema Corte de deixar o cargo por fraudes durante a campanha eleitoral. Desde a semana passada, milhares de manifestantes da oposição bloqueavam o aeroporto da capital, Bangcoc, pedindo a saída de Wongsawat. Segundo a BBC, há relatos não-confirmados de que os protestos devem se encerrar ainda hoje. As eleições para o novo primeiro-ministro ocorrem no dia 8, e a Constituição tailandesa permite que a coalizão de Wongsawat apresente um novo nome e participe da disputa, o que pode gerar novas tensões no país.

Por José Antonio Lima, com Juliano Machado

As dez mais de 1 de dezembro

Seg, 01/12/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Aeronáutica monta operação de guerra e teme “calamidade”
A manchete do Estadão de hoje deixa claro que a tragédia ocorrida em Santa Catarina está longe de acabar. Segundo o jornal, a Operação Santa Catarina, montada pela Aeronáutica, é a segunda maior operação aérea da história da América Latina, perdendo apenas para a Guerra das Malvinas, de 1982. O maior temor dos responsáveis pelo atendimento aos afetados é que após a tragédia ocorra uma “calamidade na saúde pública”, já que 100 mil pessoas tiveram contato com água contaminada e muitas casas ainda estão em áreas de alto risco. A Defesa Civil de Santa Catarina encontra problemas até para estocar alimentos e cobertores. Segundo o Estadão, são tantas as doações que não há mais onde armazenar os alimentos.

2. Número de desalojados no país chega a 85 mil
A Folha (para assinantes) destaca hoje que o estrago causado pelas chuvas não se restringe apenas a Santa Catarina e que os efeitos são grandes também no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e no Vale do Paraíba, em São Paulo. No total, o país tem 84.670 pessoas desalojadas ou desabrigadas por conta das chuvas, e 89 municípios em estado de emergência, o que autoriza as prefeituras a recorrer a verbas federais e estaduais e realizar obras sem licitação. Além do temor de problemas de saúde pública (ver nota acima), as chuvas devem continuar afetando as áreas que já têm problemas, especialmente o Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

3. Governo lança metas de redução de desmatamento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia nesta segunda-feira o Plano Nacional de Mudanças Climáticas. A principal novidade, diz o Blog do Josias, na Folha Online, é a fixação de metas para a redução do desmatamento no país. Para o quadriênio 2006-2010, o objetivo é diminuir a área desmatada em 40%, tendo como base o período entre 1996 e 2005. Depois de 2010, a projeção é reduzir o desmatamento em 30% por quadriênio, sempre em comparação com o mesmo período de tempo imediatamente anterior. Em meio à tragédia de Santa Catarina, em parte motivada pela ocupação desordenada em áreas de mata, ter um compromisso objetivo em manter de pé as florestas é algum avanço.

Brasil
4. Estado paga até R$ 100 mil de indenização por barraco no Rio

O Globo de hoje traz uma reportagem sobre as polpudas indenizações do governo estadual do Rio de Janeiro e da União a moradores de favelas onde há obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). No Morro do Pavão-Pavãozinho, em Copacabana, na zona sul, um morador recebeu cerca de R$ 100 mil por um pequeno prédio, que dará lugar a um bloco de apartamentos feito pelo governo. Especialistas do mercado imobiliário ouvidos pelo jornal carioca consideraram muito altos os valores das indenizações. Com quantias entre R$ 60 mil e R$ 70 mil, segundo eles, é possível comprar conjugados ou apartamentos de um quarto em alguns bairros da zona sul, como Catete e Laranjeiras.

5. “Rebelião” na PF tenta tirar diretor do cargo
Um grupo de delegados e agentes da Polícia Federal já admite publicamente que deseja a saída do diretor-geral da instituição, Luiz Fernando Corrêa. “Depois dessa crise, houve um desgaste natural, como aconteceu com o Paulo Lacerda. Desgastou, tem de sair. É o caso dele”, disse à Folha (para assinantes) Amaury Portugal, presidente do Sindicato dos Delegados da PF em São Paulo. Os “rebeldes” se queixam da gestão centralizadora de Corrêa, principalmente em relação à negociação de uma lei orgânica para a categoria. É possível que haja insatisfações políticas de alas que não estão no poder, mas parece claro que a administração de Corrêa está, sim, desgastada. Resta saber se ele terá condições de recuperar a confiança de seus subordinados.

Economia
6. Lula quer reforma tributária já, diz Múcio

Uma reportagem do Estadão destaca que, segundo o ministro José Múcio (Relações Institucionais), uma das prioridades do presidente Lula na reunião de coordenação política de hoje é trabalhar pela aprovação da reforma tributária. Múcio revelou que Lula está preocupado com o lado psicológico da população e que teme a “síndrome da crise”, que poderia diminuir o consumo e conter o crescimento. A reforma tributária é, sem dúvida, uma causa nobre, pois as mudanças na cobrança de impostos, se bem feitas, podem ajudar a colocar a economia do Brasil em um novo patamar. O inaceitável é que essa reforma seja feita às pressas, como medida para combater a crise, o que pode trazer problemas piores para o país.

7. ONU prevê crescimento de apenas 0,5% para o Brasil
A BBC Brasil informa que a Organização das Nações Unidas divulgou nesta segunda-feira um relatório sobre a economia global que aponta crescimento de apenas 0,5% da economia brasileira em 2009. A tese da ONU é que apesar de a crise ter sido gerada pelos países desenvolvidos, as nações em desenvolvimento sofrerão os mesmos impactos, com forte desaceleração da economia. Em um cenário otimista “calculado” pela ONU, esse 0,5% passaria para 3%, um índice bem mais próximo às expectativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do governo brasileiro. A ONU é uma entidade com uma veia catastrofista saliente, até porque precisa sempre se preparar para o pior cenário possível. Para a felicidade dos brasileiros, seria ótimo se o cenário pessimista das Nações Unidas não se revelasse verdadeiro.

8. Falta de crédito ameaça novos negócios da Petrobras
O Valor Econômico de hoje acrescentou mais uma má notícia à situação da Petrobras em meio à crise. Segundo o jornal, as empresas que venceram as concorrências para construir 12 plataformas de perfuração para a estatal brasileira estão com problemas para conseguir fechar seus bilionários financiamentos. Segundo o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, as empresas avisaram dos problemas, mas essa situação “ainda não afeta o cronograma” da entrega. O problema está justamente no “ainda”. Como o cenário internacional de oferta de crédito deve continuar precário, certamente a estatal terá problemas e, como conseqüência, o governo Lula. De acordo com o Valor, parte dessas plataformas serviria para explorar a “menina dos olhos” do presidente, o petróleo da camada pré-sal.

Mundo
9. Obama nomeia hoje a cúpula da política internacional americana

O jornal The New York Times destaca que o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, anunciará hoje a cúpula de sua política internacional – Hillary Clinton (secretária de Estado), James L. Jones (conselheiro de segurança nacional) e Robert M. Gates (secretário de Defesa). O trio costuma ter visões dissonantes das que Obama defende para a política internacional, mas, segundo o Times, os três concordaram em tentar aplicar a proposta de Obama. A notícia é excelente. Depois de 16 anos seguidos de fracassos das administrações Bill Clinton e George W. Bush no exterior, Obama percebeu que o poderio militar, sozinho, não resolverá os problemas de estados falidos, como Somália, Iraque e Afeganistão. A nova política terá, assim, foco no fortalecimento da ajuda para a reconstrução dessas nações o que, se der certo, dará a Obama um lugar de honra nos livros de História.

10. Mais um ministro indiano cai após atentados em Mumbai
Depois de Shivraj Patil deixar o ministério do Interior, foi a vez de Vilasrao Deshmukh, ministro-chefe do Estado de Maharashtra, onde fica Mumbai, pedir demissão do governo indiano após o atentado que deixou quase 200 mortos na capital financeira da Índia. O anúncio foi feito hoje, como mostra a BBC. As trocas no governo mostram que os ataques farão o premiê Manmohan Singh colocar de vez a Índia na luta contra terrorismo islâmico. Além de modificar ministros, Singh anunciou a criação de uma agência federal antiterror. A cada novo atentado fica mais claro que o terror islâmico precisa ser combatido de forma enérgica e coordenada pelos estados, sob pena de o mundo viver um novo 11 de Setembro.

Por José Antonio Lima

As dez mais de 28 de novembro

Sex, 28/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Banco do Brasil também socorreu Petrobras
A Folha (para assinantes) traz hoje a notícia de que, além da Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil também teve de socorrer a Petrobras em meio à crise. Segundo o jornal, o empréstimo do BB foi de R$ 751 milhões, o equivalente a 21% de todos os recursos em moeda estrangeira que o BB repassou aos exportadores em outubro. A notícia, somada ao empréstimo de R$ 2 bilhões tomado pela Petrobras na Caixa e revelado com alarde pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), colocou a estatal na berlinda. A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, minimizou os empréstimos, dizendo que se devem a “um problema imediato de caixa”. Dilma ainda chamou de “ridículas” as declarações de senadores do PSDB sobre a situação da estatal. Além dos efeitos da crise na Petrobras, que parecem claros, é lamentável que as transações tenham se tornado públicas dessa forma. Agora, mesmo que o problema não seja tão grave como parece, ninguém acreditará nas explicações do governo.

2. Governo mantém investimentos da Petrobras
Uma outra reportagem da Folha (também para assinantes) destaca as duras críticas de especialistas “à má gestão e à ineficiência” da Petrobras, expostas com a queda do preço do barril do petróleo. De acordo com Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura, o maior problema não é o alto valor dos empréstimos, mas sim o fato de o dinheiro ter sido destinado ao capital de giro da Petrobras. Segundo a Folha, o governo manteve os principais investimentos da estatal, enquanto mira as consultorias e os patrocínios esportivos e culturais para cortes de gastos. Mesmo assim, projetos como as refinarias “premium” no Ceará e no Maranhão e a refinaria petroquímica do Rio de Janeiro estão arriscados. Como ocorre nos países dependentes do petróleo, como Rússia e Irã, por exemplo, a desaceleração econômica global acarretou problemas graves à Petrobras. E parece óbvio que a estatal, talvez acreditando na tese da “marolinha” de Lula, não se preparou para o tsunami da crise.

3. O desmatamento ajudou a piorar a tragédia catarinense
Uma reportagem do jornal O Globo de hoje reforça o que havia sido postado ontem no Blog do Planeta, do site de ÉPOCA: o desmatamento e o aquecimento global tiveram papel determinante na tragédia ocorrida em Santa Catarina. De acordo com Carlos Nobre, cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Aeroespaciais (Inpe), a situação de Santa Catarina é “um espelho do futuro das nossas cidades”. Segundo Nobre, o Brasil ainda não tem informações completas dos últimos cem anos, o que poderia salientar os efeitos do aquecimento global, mas dados coletados por um centro de informações meteorológicas de Santa Catarina mostram que algumas cidades do Estado tiveram aumento de 3ºC na temperatura média anual. Os mesmos dados previam chuvas torrenciais intensas, entremeadas por fortes secas. Como ocorre em outros lugares do mundo, há sinais claros de que o aquecimento global é real e que seus efeitos serão devastadores. O que falta saber é qual é o tamanho do desastre necessário para que a população passe a exigir - e os governos passem a tomar - medidas significativas e de larga escala contra as mudanças climáticas.

Investigação
4. Protógenes estava perto do partidarismo, diz PF

O delegado federal Protógenes Queiroz está caminhando para se tornar uma das figuras mais controversas da história do país. Mesmo fora da Operação Satiagraha há algum tempo, seus superiores não param de levantar polêmicas em relação a ele. Desta vez, como informa a Folha (para assinantes), o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, disse que o afastamento de Protógenes foi motivado por “quebra de confiança” e insinuou que as relações político-partidárias do delegado comprometiam sua atuação. É sabido que Protógenes participou de eventos do PSOL durante a campanha eleitoral. Para a PF, isso o torna inapto para comandar investigações de corrupção. Protógenes nega que tenha uma aproximação especial com o PSOL. Sabendo das pressões que lhe seriam impostas diante de uma operação envolvendo grandes figurões, como Daniel Dantas, o delegado poderia até ter evitado esse contato com políticos para que isso não fosse usado a seu desfavor. No entanto, nesse obscuro capítulo político-policial, isso é apenas um pouco mais de névoa.

5. Juíza do caso Dantas relata tentativa de corrupção
A informação de que a juíza carioca Marcia Cunha Silva Araújo de Carvalho havia recebido diversas pressões do grupo de Daniel Dantas não é uma novidade, mas sim os detalhes que o Estadão traz nesta sexta-feira, reproduzindo o depoimento que a magistrada deu para o delegado federal Ricardo Saadi, atual comandante da Operação Satiagraha. Marcia julgava um processo cuja decisão poderia excluir o Opportunity do controle de empresas adquiridas em consórcio com um fundo nacional e um estrangeiro. A juíza contou que, num certo dia, um homem numa motocicleta lhe mostrou uma arma e disse: “Juíza, você e seu filho já era”. O marido dela foi convidado por uma pessoa a trabalhar para o Opportunity com uma oferta muito vantajosa. “Era dinheiro para ficar rico”, disse a juíza. Mas o marido recusou. Depois, o grupo de Dantas começou a acusar Marcia de suspeição, justamente por ela ter recebido esse tipo de assédio - provocado pelo próprio Opportunity. No fim, ela desistiu de se manter no caso para fugir do terrorismo psicológico. Não é fácil cruzar o caminho de Dantas.

Política
6. Governo deve mudar regras de cálculo da aposentadoria

O governo federal já percebeu que os recentes projetos de lei para os aposentados poderão levar a um rombo quase irrecuperável da Previdência. Por isso, a base aliada no Congresso já estuda, pela primeira vez, negociar o fim do fator previdenciário em troca da exigência de idade mínima para as aposentadorias, como noticia o Estadão. O fator previdenciário, criado em 1999, consiste numa fórmula que considera a idade e a expectativa de sobrevida do trabalhador no momento do pedido da aposentadoria para calcular o valor do benefício. “Se cair o fator previdenciário e no seu lugar for estabelecida uma idade mínima para aposentadoria pelo INSS”, diz o jornal, “um trabalhador só poderá se aposentar no momento em que completar o tempo de contribuição (30 anos para mulheres e 35 anos para homens) e também uma idade que vier a ser especificada na Constituição”.

Economia
7. Investidores americanos vão à Justiça contra Aracruz e Sadia

A arriscada aposta de grandes empresas brasileiras na valorização do real, nos chamados contratos de derivativos cambiais, ainda deve dar muita dor de cabeça. Depois de perdas bilionárias decorrentes do agravamento da crise econômica (com a queda do real), a Sadia e a Aracruz estão sendo processadas por investidores americanos que tiveram perdas na Bolsa com os seus papéis, como mostra uma reportagem publicada no jornal O Globo. As duas empresas afirmam que ainda não foram comunicadas oficialmente das ações.

Mundo
8. Suspeita da Índia deve minar estratégia dos EUA para a região

O jornal The New York Times trata os atentados em Mumbai, na Índia, como mais um golpe duro para a futura administração de Barack Obama na Casa Branca. De acordo com o jornal, a intenção do presidente eleito dos EUA era continuar a atual estratégia de aproximar as potências nucleares Índia e Paquistão, rivais desde sempre, para que os esforços militares paquistaneses se concentrassem nos grupos radicais islâmicos que agem na fronteira com o Afeganistão - onde se acredita que está o terrorista saudita Osama bin Laden -, e não na rivalidade com a Índia. Após os ataques de quarta-feira, o premiê indiano, Manmohan Singh, se apressou em dizer que o atentado tinha “ligações externas” e que “vizinhos pagariam o preço” caso seus territórios tivessem sido usados pelos terroristas. Assim, os esforços para a reconciliação terão seu destino traçado pela investigação das autoridades indianas. Se for comprovado o envolvimento do Paquistão ou de paquistaneses no massacre, nem toda a diplomacia americana conseguirá apaziguar os ânimos entre os vizinhos.

9. Vice-presidente do Irã fala em encontro de Ahmadinejad com Obama
Em entrevista à agência japonesa Kyodo, reproduzida pelo jornal espanhol El País, o vice-presidente do Irã, Esfandiar Rahim Mashaie, abriu as portas para um encontro oficial entre o presidente eleito dos EUA, Barack Obama, e Mahmoud Ahmadinejad, o presidente do Irã. Segundo Mashaie, se Obama “se distanciar” da política de George W. Bush e cumprir a promessa de buscar “mudanças”, como repetiu diversas vezes em sua campanha, abrirá espaço para o diálogo. O problema é que, ainda que Obama seja mais simpático e afável do que George W. Bush, a possibilidade de o Irã dominar totalmente o processo de fabricação de combustível e armas nucleares é impensável para os Estados Unidos. Obama e Ahmadinejad podem até realizar esse encontro histórico, mas o roteiro será o mesmo. Obama pedirá para o Irã conter sua ânsia por tecnologia nuclear, e Ahmadinejad responderá com um “não”.

10. Na Tailândia, manifestantes dizem que vão “até a morte”
Impressiona a mobilização da população dos países do Sudeste Asiático quando um governo se torna impopular. Liderados pelo partido oposicionista Aliança Popular pela Democracia, milhares de manifestantes ocupam os dois aeroportos mais importantes da Tailândia, impedindo a chegada e a partida de qualquer vôo. Eles exigem a renúncia do primeiro-ministro, Somchai Wongsawat. Segundo a BBC Brasil, um dos líderes dos protestos disse que todos “vão lutar até a morte”, caso as forças policiais obriguem que eles se retirem dos aeroportos. Espera-se que, diante dessa insistência, não ocorra um massacre.

Com José Antonio Lima e Juliano Machado

As dez mais de 27 de novembro

Qui, 27/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. O terror ressurge com força na Índia
Em uma série de ataques coordenados, terroristas mataram pelo menos 101 pessoas e feriram outras 250 em Mumbai (ex-Bombaim), considerada a capital financeira da Índia. Com armas e granadas, os homens abriram fogo em dois hotéis de luxo, a maior estação de trem da cidade, um centro judeu, um cinema e um hospital. Um desconhecido grupo terrorista local reivindicou a autoria dos atentados, mas não houve confirmação. Não se sabe, ainda, se houve participação de células terroristas internacionais. Segundo o The New York Times, ainda havia, no início da manhã, um número incerto de hóspedes dos hotéis de luxo em poder dos autores dos ataques. Os criminosos teriam selecionado ingleses e americanos para virarem reféns. As conseqüências desses atentados em série são, por enquanto, incertas, mas ficou claro que o terror continua sendo um inimigo totalmente imprevisível – e, por isso, difícil de ser combatido.

Brasil
2. R$ 1 bilhão para Santa Catarina

Depois de sobrevoar a região atingida pelas enchentes e dizer que nunca tinha visto “uma coisa assim”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva editou uma Medida Provisória (MP) liberando R$ 1,029 bilhão para a reconstrução do que foi derrubado pelas águas em Santa Catarina. Segundo o Estadão, a situação ainda é de calamidade em boa parte do Estado. “Em Itajaí, moradores se recusam a deixar casas inundadas, pois bandidos fazem rondas em barcos”, diz o jornal. Dos 5,8 milhões de habitantes do Estado, 1,5 milhão foram afetados de alguma forma. As mortes chegam a 97 e devem passar de cem, uma vez que há 19 desaparecidos confirmados.

3. Promotor que matou jovem em 2004 é absolvido
O promotor Thales Ferri Schoedl, que matou um jovem e feriu outro numa praia de Bertioga, no litoral paulista, em 2004, foi absolvido por unanimidade pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo. Como informa a Folha (para assinantes), os 23 desembargadores entenderam que Thales agiu em legítima defesa, pois os dois rapazes teriam a intenção de agredi-lo. A acusação vai recorrer da decisão, citando uma súmula do Supremo para dizer que o julgamento não poderia ter ocorrido, pois a Corte ainda não determinou de maneira definitiva se o promotor permanecerá no cargo.

4. Paulinho tenta escapar da cassação
A reunião do Conselho de Ética para votar o pedido de cassação do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, acusado de desviar recursos do BNDES, foi marcada pelo trabalho de seus aliados, que manobravam para absolvê-lo, não importando o conteúdo do parecer, como mostra O Globo. A estratégia foi contida pela deputada Solange Amaral (DEM-RJ), que pediu vistas do relatório, adiando a decisão. Para piorar, o relator do processo, Paulo Piau (PMDB-MG), admitiu ter feito o relatório com base apenas em denúncias veiculadas na imprensa, sem apurações adicionais. Em meio a tudo isso, Paulinho, talvez crente de sua absolvição, acertava com o secretário-geral de Lula, Luiz Dulci, por meio de bilhetinhos, um jantar entre o presidente e líderes de centrais sindicais. O encontro só foi confirmado na terceira versão da agenda oficial de Lula. Será que o Planalto tentou esconder a reunião?

5. A paz que incha uma favela no Rio
O Globo (íntegra para assinantes) desta quinta-feira traz uma reportagem sobre uma favela no Rio de Janeiro que está se expandindo basicamente por um motivo incomum: a tranqüilidade a seus moradores. Trata-se da Tavares Bastos, no Catete, zona sul da cidade. Segundo o texto, a comunidade passou de 4 mil para 6,8 mil habitantes de 2000 para cá, muito por conta da fama de um local sem a presença do tráfico. O Batalhão de Operações Especiais (Bope), da Polícia Militar, está sediado no alto do morro há oito anos, o que inibe a ação dos traficantes. O problema, agora, é outro: como conter o inchaço da favela, que está no meio de uma Área de Proteção Ambiental. Não há Bope que resolva falta de planejamento urbano.

Economia
6. Banco do Brasil anuncia corte de juros

Mesmo com a crise financeira, o Banco do Brasil não vinha aliviando a mão nos juros para pessoas físicas. Depois de um “puxão de orelhas” do presidente Lula, como diz o Correio Braziliense (para assinantes), os clientes do BB terão encargos menores se quiserem rolar a dívida do cartão. O juro mínimo vai cair de 4,23% para 3,79% ao mês. Empresas com dificuldades de capital de giro ou buscando financiamento para exportação também terão taxas mais convidativas.

7. A reforma tributária depois da crise
A Folha (para assinantes) traz um artigo assinado pelos secretários de Fazenda de São Paulo, Mauro Ricardo, e do Rio de Janeiro, Joaquim Levy, sobre a votação do substitutivo da reforma tributária aprovado pela Comissão Especial da Câmara. Segundo os dois, os deputados devem considerar, antes da votação, uma série de riscos decorrentes da atual crise na economia mundial e do novo mundo que está surgindo por causa do baque financeiro. A reforma, afirmam os secretários, não deve engessar ainda mais a Constituição Federal, com detalhes pontuais, mas estabelecer as linhas mestras do arcabouço tributário do século 21. Isso quer dizer que muito dos 400 dispositivos do longo substitutivo podem representar um entrave daqui a alguns anos, quando esses pontos podem não mais representar a realidade tributária do país. Apesar das considerações, os autores reafirmam o valor do substitutivo, mas salientam que os Estados e setores econômicos devem ver a reforma como um complexo orgânico, em que a melhoria do todo é mais importante que a inclusão de dispositivos que atendam exclusivamente a interesses específicos de determinado setor.

Mundo
8. Obama: a promessa de “mudança” será cumprida?

Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos com o atraente discurso da mudança, mas a nomeação de sua equipe econômica vem despertando críticas por causa da escolha de personagens já conhecidos de outras administrações. Entre eles está Paul Volcker, ex-presidente do Federal Reserve (banco central americano) que já prestou seus serviços a democratas e republicanos. Segundo o The Wall Street Journal, Obama se defende afirmando que as mudanças virão de cima, ou seja, dele. O presidente eleito também afirma o valor dos veteranos da economia americana e salienta que as mudanças virão de um combinado de experiência com pensamento renovado. Até o momento, Obama tem sido cauteloso para julgar o tímido papel que o presidente George W. Bush tem tido diante da crise. As decisões governamentais estão sendo tomadas pela sua equipe econômica e a última entrevista coletiva de Bush foi em julho. O medo dos analistas americanos - e do mundo - é que o novo presidente esteja sentindo os mesmos medos do atual titular da Casa Branca e que seu mote de mudanças redunde em ações limitadas e pouco inovadoras sobre a crise.

9. O perigo atômico mora ao lado
Cumprindo sua série de visitas oficiais à América Latina, o presidente russo, Dmitri Medvedev, assinou hoje na Venezuela um tratado bilateral para promover o desenvolvimento de energia nuclear para fins pacíficos. O acordo entre Caracas e Moscou tem enorme dimensão geopolítica, já que simboliza o aprimoramento do know-how nuclear do governo de Hugo Chávez e também é uma clara demonstração de força de Medvedev em uma das principais zonas de influência dos Estados Unidos. O temor é que nas entrelinhas do acordo para fins pacíficos estejam obscuras transferências de tecnologia atômica que possam ser utilizados para fins bélicos pela Venezuela. A BBC Brasil recorda que a Rússia é um dos principais fornecedores de armas para o país sul-americano, que comprou US$ 4 bilhões em armamentos russos apenas nos últimos quatro anos.

10. O perigo da saída das tropas americanas do Iraque
O parlamento iraquiano aprovou nesta quinta-feira o acordo com os Estados Unidos que estabelece como 2011 o prazo final para a retirada das tropas americanas do país, relata o El País. Segundo o jornal, o acordo foi fruto de intensas negociações entre os partidos da maioria xiita e seus aliados curdos e os partidos da minoria sunita, que temem perseguição política e religiosa após a saída dos americanos. Isso porque os sunitas eram dominantes durante o governo ditatorial de Saddam Hussein. O sucesso do acordo está sendo creditado ao presidente Nuri al Maliki, que conseguiu fazer com que os dois lados entrassem em consenso e estabelecessem garantias de que não haverá perseguição política aos antigos membros do governo de Saddam. O acordo também afirma a autoridade do governo iraquiano sobre as tropas americanas e retira a imunidade dos soldados em relação a alguns crimes. A expectativa da população iraquiana é grande. Resta saber se os rancores políticos e religiosos - agravados por décadas de um governo opressor e de uma guerra covarde - não farão com que o acordo falhe e que a onda de terror piore após a saída das tropas americanas.

Com José Antonio Lima e Thiago Cid

As dez mais de 26 de novembro

Qua, 26/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. A imagem do desespero em Santa Catarina
Quando o furacão Katrina devastou Nova Orleans (EUA) em 2005, chocamo-nos com imagens de mercados sendo saqueados em meio à destruição. Agora a cena de desespero está bem mais perto, em Santa Catarina. Na imagem do repórter fotográfico da RBS Patrick Rodrigues que ilustra a capa da Folha e do Globo, dezenas de pessoas saqueiam um supermercado de Itajaí completamente alagado. O número de mortos por causa das chuvas pode passar de cem. Faltam água, luz e comida em várias cidades, o que acaba levando parte dos desabrigados a saquear o comércio, como informa a Folha (para assinantes). Quando o pior da tragédia passar, as autoridades não terão apenas de explicar por que o problema ganhou tal dimensão. Será necessário criar um planejamento sério para evitar a repetição de cenas lamentáveis como a da foto do supermercado.

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Economia
2. O saco sem fundo da ajuda do governo americano

As cifras dos planos de salvamento do governo americano para a economia tornaram-se ainda maiores ontem, com o anúncio de que mais US$ 800 bilhões serão injetados nos mercados de crédito. O Fed (banco central) deve bancar a maior parte desse valor. Com isso, segundo o The Wall Street Journal, a instituição se torna “um agente financeiro em quase todos os cantos da vida americana”. Desse montante, US$ 600 bilhões servirão para cobrir dívidas emitidas ou garantidas por empresas do setor de crédito imobiliário, como as gigantes Fannie Mae e Freddie Mac. Os outros US$ 200 bilhões vão para financiar investidores na compra de títulos de dívida vinculados a créditos estudantis, automobilísticos e de cartões. O WSJ traz um gráfico com todos os pacotes já anunciados pelo governo americano desde o início da crise. A soma já passa de US$ 2 trilhões, mais do que o PIB nominal do Brasil em 2007, que ficou em US$ 1,3 trilhão. Qual é o fundo do saco de dinheiro do Fed?

3. União Européia também anuncia pacote
Na onda dos pacotes de salvamento, a União Européia deve anunciar nesta quarta-feira um conjunto de medidas para estimular os investimentos na indústria e a recuperação dos níveis de consumo dentro do bloco, que passa pela primeira recessão desde que o euro foi adotado como moeda comum. A BBC Brasil informa que uma das propostas é ampliar para € 55 bilhões a € 60 bilhões os recursos de empréstimos do Banco Europeu de Investimentos entre 2009 e 2010. A idéia é incentivar principalmente os setores automotivo e da construção civil, os mais afetados pela crise.

4. O Brasil de olho na África
O diário espanhol El País traz uma reportagem nesta quarta-feira sobre o crescente interesse da economia brasileira pela África. E o etanol de cana-de-açúcar seria o motor dessa aproximação com os africanos, uma vez que o continente, diz o jornal, tem todos os elementos necessários para o cultivo da cana-de-açúcar: “vastos hectares de área agricultável, sol em abundância e mão-de-obra farta”. O texto afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já tem entendimentos com 15 países africanos para projetos de cooperação tecnológica na produção de etanol. “É preciso considerar também o conhecido interesse de Lula de criar uma área de influência estratégica brasileira no continente africano, algo que se reflete claramente nas sete visitas oficiais que já fez à região desde que virou presidente. Mais de uma por ano.” A estratégia de Lula, porém, se choca com os interesses de um concorrente de peso: a China também anda de olho na exploração dos recursos naturais do continente.

Política
5. Câmara aprova mudança em tramitação de MPs

A Câmara aprovou, por 363 votos a favor e 50 contra, uma proposta de emenda constitucional que altera a edição e a tramitação de Medidas Provisórias (MPs), informa o Estadão. O texto mantém o poder do presidente de editar quantas MPs quiser, e elas seguirão valendo por 120 dias. A mudança principal, então, está no trancamento da pauta de votações quando chega uma MP ao Legislativo. Hoje, uma MP bloqueia a pauta na Câmara ou no Senado se não for apreciada após 45 dias de sua edição. Pela proposta aprovada ontem, chamada de “trancamento disfarçado”, a MP passa a entrar como primeiro item da pauta 16 dias após editada. Para mudar essa ordem, colocando outro projeto à frente, só por meio de requerimento aceito pela maioria absoluta (257 deputados, se estiver na Câmara, ou 41 senadores, se estiver no Senado). Como a votação de MP exige maioria simples, os congressistas tendem a optar por avaliá-la primeiro. Na prática, pouco muda: as Medidas Provisórias continuarão sendo uma poderosa arma do Executivo para impor certas medidas que, muitas vezes, não têm o caráter de urgência e relevância exigidos pela legislação brasileira para se tornarem objeto de MP.

6. Supremo abre novo inquérito contra Paulinho da Força
O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados começa a julgar hoje o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), acusado de desviar recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), num suposto esquema revelado pela Operação Santa Tereza, da Polícia Federal. O relator do caso no conselho, Paulo Piau (PMDB-MG), já declarou ser favorável à cassação de Paulinho e à sua inelegibilidade até 2018. Como se já não estivesse complicada a vida do parlamentar, a Folha (para assinantes) informa que ele é objeto de um outro inquérito no Supremo por novas suspeitas de desvio de dinheiro público. A Força Sindical, presidida pelo deputado, teria usado alunos fantasmas para justificar repasses da União a cursos oferecidos para desempregados. Segundo o Ministério Público Federal, foram localizados nos cadastros de alunos desses cursos 26.991 nomes e 24.948 números de CPF repetidos.

Ambiente
7. Projeção de mudanças climáticas no Nordeste assusta

Um estudo a ser divulgado nesta quarta-feira durante a I Conferência Regional Sobre Mudanças Climáticas, em Fortaleza, traz projeções alarmantes sobre o que pode ocorrer na Região Nordeste se forem confirmadas as previsões de aumento global das temperaturas. Um acréscimo de 4 graus Celsius até 2070 pode causar a perda de 80% das terras propícias à agricultura no Ceará. Em Pernambuco, o segundo Estado mais afetado da região, a redução das áreas agricultáveis chegaria a 65%. Com menos terras férteis, é evidente que a população do campo migre com mais intensidade para os centros urbanos. O fluxo de pessoas em direção às cidades pode chegar a 247 mil pessoas entre 2035 e 2045 e a 236 mil pessoas entre 2045 e 2050. E os efeitos para a economia, é claro, também seriam desastrosos. A perda da capacidade produtiva e o aumento da migração para cidades (que contribuiu para o colapso do sistema de saúde) custarão 11,4% de toda a riqueza produzida no Nordeste – o equivalente a dois anos de crescimento econômico. Uma reportagem do Blog do Planeta, da revista ÉPOCA, afirma que “um dos caminhos para reduzir os impactos das mudanças climáticas no Nordeste é o mesmo para frear o aquecimento global: parar o desmatamento, um dos principais responsáveis pelo processo de desertificação porque deixa o solo sujeito à erosão”.

Saúde
8. Plano anti-aids da OMS causa polêmica

A Organização Mundial da Saúde anunciou um plano ousado de combate à aids em todo o mundo. A idéia é fazer o teste do HIV em todos os habitantes de regiões consideradas críticas para a doença, como a África Sub-Saariana, e aplicar coquetéis de medicamentos imediatamente às pessoas cujo resultado der positivo. Segundo a OMS, isso poderia reduzir bastante o número de novos infectados, pois o tratamento diminui a presença do vírus no corpo e tornaria mais difícil o contágio por relações sexuais sem proteção. A polêmica está na questão dos direitos humanos, como informa o jornal britânico The Guardian: esses tratamentos, em geral, são aplicados apenas quando a pessoa portadora do vírus realmente depende deles para sobreviver, pois há muitos efeitos colaterais. Pelo plano da OMS, elas seriam quase obrigadas a receber os coquetéis, mesmo num estágio inicial da infecção.

Violência

9. Jovens são as principais vítimas de armas de fogo na AL
A conclusão do Mapa da Violência da América Latina, apresentado ontem pela Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), não chega a ser novidade, mas nem por isso deixa de reforçar o alerta sobre quem são as maiores vítimas da violência na região: os jovens. Os 16 países pesquisados concentram os alvos de assassinatos por arma de fogo na população de 15 a 24 anos. Citando o estudo, o Estadão diz que, no Brasil, para cada pessoa assassinada, 2,7 jovens são mortos.

Mundo
10. Visita de presidente russo ao Brasil mostra proximidade
O presidente russo, Dmitri Medvedev, está em visita ao Brasil e ainda nesta semana segue para a Venezuela e, depois, para Cuba. De acordo com a BBC Brasil, “o motivo da viagem e do interesse russo no Brasil e na região tem dois pólos: o geopolítico e o econômico”. A Rússia acredita que marcar presença na América Latina pode servir como uma forma de contrabalançar o poder dos Estados Unidos. Mais que isso, os russos vêem nos países da região um grande potencial de expansão para a sua economia. No Brasil, o objetivo é ocupar o espaço, hoje preenchido pela França, de principal fornecedor de tecnologia na área de defesa. Mesmo na Venezuela, onde se pensa que a parceria russa tem algum matiz ideológico, os russos só têm olhos para a exploração petrolífera. Pelo jeito, o antigo quintal americano anda sendo visitado por um penetra de peso.

As dez mais de 25 de novembro

Ter, 25/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Era possível evitar a tragédia em Santa Catarina?
Enquanto escrevemos o Filtro, já são contabilizados 65 mortos em decorrência das fortes chuvas em Santa Catarina. Há pelo menos 30 desaparecidos, sem contar os milhares de desabrigados. Diante da dimensão da tragédia, a pergunta que se faz é: dava para evitar? O colunista de ÉPOCA Paulo Moreira Leite, em seu blog, diz que “um país com um PIB de US$ 1,5 trilhão tem condições de realizar trabalhos de infra-estrutura para garantir um mínimo de segurança à sua população”. E relembra que as cidades atingidas não são áreas flageladas, pobres, mas sim localidades antigas, consolidadas. A mesma região sofreu uma enchente de proporções parecidas em 1984 e o drama se repete, quase 25 anos depois. O que foi feito desde então? Sim, o volume de chuva foi enorme, mas há detalhes que não podem ser esquecidos. O Estadão, por exemplo, informa que o sistema de monitoramento de cheias da bacia do Rio Itajaí-Açu, que corta o nordeste catarinense, é obsoleto. Os especialistas tinham de esperar até seis horas para receber os dados coletados durante a semana das chuvas mais intensas, impedindo qualquer projeção e um eventual alerta para a população deixar determinados locais. Espera-se que, daqui a 25 anos, os catarinenses não precisem sofrer novamente quando o rio subir…

2. Tragédia catarinense é efeito do desmatamento amazônico, diz Clarín
O jornal argentino Clarín noticia as enchentes em Santa Catarina e afirma, com base em especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), que o desmatamento na Amazônia pode estar por trás da tragédia. Paulo Artaxa, um dos pesquisadores citados na reportagem, explica: “No céu da Amazônia há um sistema eficaz de aproveitamento do vapor d’água (…), mas a fumaça dos incêndios florestais altera drasticamente este mecanismo: diminui a formação de nuvens e chuvas em algumas regiões e aumenta as tempestades em outras.” É uma hipótese que ainda precisa ser mais bem analisada. De qualquer forma, não deixa de haver o dedo da interferência fora de controle no ambiente. Como diz o Clarín: “Não são castigos divinos, mas bem humanos.”

Economia
3. No Ministério de Lula, a receita é propaganda
Esta foi a chamada irônica d’O Globo (para assinantes) em sua capa desta terça-feira, sobre a reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seus ministros para discutir novas medidas contra a crise econômica. Ao final do encontro, não ficou definida nenhuma nova ação, exceto a de se fazer uma campanha para estimular o brasileiro a consumir. Com o slogan “O mundo aprendeu a respeitar o Brasil, e o Brasil confia nos brasileiros”, a propaganda vai tentar mostrar o efeito dominó do consumo: ao comprar um produto, o brasileiro ajuda a gerar empregos e movimentar a economia como um todo. A peça publicitária começa a ser veiculada em 10 de dezembro, na TV, rádio, jornais e internet. O governo deveria saber, porém, que nenhuma campanha muda a cabeça do consumidor se o bolso estiver vazio.

4. Obama e Bush tentam acalmar mercados voláteis
O presidente americano George W. Bush já foi chamado de “pato manco” (expressão política, tipicamente americana, para designar autoridades em declínio) até pelo nosso ministro da Fazenda, Guido Mantega, mas continua tentando salvar os EUA do buraco econômico. Segundo o The New York Times, seus assessores estão em contato constante com a equipe de transição de Barack Obama para acertar detalhes do plano de salvamento do Citigroup. E, para acalmar os mercados mais instáveis, o Fed (banco central americano) deve anunciar hoje um grande programa de empréstimos para setores como o de financiamento de carros e crédito para universitários. O Tesouro deve injetar de US$ 10 bilhões a US$ 20 bilhões nessas áreas.

5. Países ricos perderão 8 milhões de empregos, diz OCDE
Um relatório divulgado nesta terça-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que os países-membros da instituição podem perder até 8 milhões de empregos nos próximos dois anos, por conta da crise. O número de desempregados nas 30 nações filiadas à OCDE, a maioria com economias desenvolvidas, poderia subir de 34 milhões para 42 milhões. Sobre o Brasil, informa a BBC, o documento diz que a atividade econômica irá “perder o fôlego” em 2009, mas deve retomar o vigor atual no fim do ano que vem ou no início de 2010.

6. Gás natural mais caro estimula consumo de óleo combustível
Voltando à nossa economia: o Valor Econômico traz hoje uma reportagem sobre os reflexos da crise global no mercado de combustíveis. Com a queda do preço do petróleo, o óleo combustível vai se tornar mais barato que o gás natural, caso a Petrobras não renegocie com as distribuidoras. Um estudo da consultoria Gás Energy mostra que, nos estados onde o preço do gás é repassado imediatamente para a tarifa do consumidor pelas distribuidoras, o gás já está mais caro que o óleo. “Essa distorção, em que cai o preço do petróleo, mas sobe o preço do gás natural, acontece por causa da fórmula que está sendo aplicada pela Petrobras para precificar o gás”, diz o Valor. E isso já faz com que grandes empresas comecem a cogitar a hipótese de migrar totalmente para o consumo de óleo combustível.

Aviação
7. Justiça suspende indiciamentos no caso do acidente da TAM

O inquérito que apura as causas do acidente da TAM em Congonhas, em 17 de julho do ano passado, quando 199 pessoas morreram, sofreu um retrocesso. A Justiça suspendeu o indiciamento de dez pessoas apontadas pela Polícia Civil paulista como responsáveis pela tragédia. O motivo da suspensão está na indefinição de quem vai julgar o processo: a Justiça Estadual ou Federal. A previsão, segundo O Globo, é que essa decisão seja tomada nos próximos dias pelo promotor Mário Luiz Saburro. Independentemente da instância julgadora, não se pode aceitar a hipótese de que ninguém seja responsabilizado e punido pela maior tragédia da aviação brasileira.

8. Anac vai liberar desconto para tarifas de vôos internacionais
Uma boa notícia para quem pretende viajar ao exterior no início de 2009. Está na Folha (para assinantes): a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vai começar, em janeiro, um processo de liberdade tarifária para vôos internacionais que partem do Brasil (as ligações com países sul-americanos já estão nesse regime flexível). Hoje, as companhias aéreas são obrigadas a praticar um valor mínimo para as tarifas, que consistem do preço da passagem menos as taxas. A reportagem dá um exemplo: “Num deslocamento São Paulo-Nova York-São Paulo, tanto a TAM quanto a American Airlines cobram dos passageiros pelo menos US$ 708 (cerca de R$ 1.640, pela cotação de ontem)”. A partir de janeiro, as aéreas vão poder dar descontos de até 20% sobre os valores de referência da Anac. Em abril, o abatimento pode ser de até 50%; em julho, o limite passa para 80%. Ou seja, a concorrência deve aumentar, para o bem dos passageiros.

Educação
9. Repetência no Brasil é a segunda maior da AL

Sempre que sai um relatório internacional sobre a educação no mundo, já podemos nos preparar para encarar, com vergonha, nossa realidade. Desta vez, um ranking de metas globais divulgado pela Unesco, braço das Nações Unidas para a educação e cultura, coloca o Brasil em 80º lugar - caímos quatro posições em relação ao último levantamento. Como diz O Globo (para assinantes), o relatório afirma que o Brasil é o único país da América Latina com mais de 500 mil crianças em idade escolar fora das salas de aula. Além disso, temos a segunda maior taxa de repetência da região, com 18,7% no ensino primário. Pior, só o Suriname, com 20,3%. A média latino-americana é de 6,4%.

10. Brasil suspende venda de aviões para o Equador
O governo brasileiro está deixando claro que não será mais tolerante aos desmandos do presidente equatoriano Rafael Correa, que expulsou a Odebrecht de seu país e se recusa a pagar um empréstimo de US$ 243 milhões contraído do BNDES. O Estadão noticia que o Planalto suspendeu a autorização para que o banco estatal de investimentos financiasse a venda de 24 aviões Supertucanos para o Equador, num negócio de US$ 261 milhões. A intenção do governo não seria atrapalhar a operação, mas os equatorianos teriam de encontrar outra forma de arrecadar dinheiro para a compra. A reação de Correa é imprevisível.

As dez mais de 24 de novembro

Seg, 24/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Brasil tem 455 municípios sem médico
O dado está numa reportagem do Estadão, com base num levantamento da Universidade Federal de Minas Gerais. Esse número de municípios, diz o estudo, não tem acesso a nenhum médico na rede pública de saúde local. Na Região Norte, 25,7% das cidades estão nessa condição precária. Com uma proporção de 1,15 médico para cada mil habitantes, o Brasil está pouco acima do limite mínimo recomendado pela Organização Mundial de Saúde, que é de 1 profissional para cada mil habitantes. Um dos motivos alegados pelo governo federal para o problema é a falta de disposição dos médicos de se fixar em cidades distantes dos grandes centros, mesmo com algumas ofertas de salário passando de R$ 16 mil. Com isso, 35% dos municípios brasileiros continuam sem atendimento no Programa Saúde da Família (PSF). Isso pode, sim, ser uma das razões, mas certamente a desorganização do sistema público de saúde está inserida nesse contexto alarmante.

Economia
2. Governo quer novo pacote contra a crise
A informação também vem do Estadão, na manchete. Na última reunião ministerial do governo Lula, marcada para esta segunda-feira, o tema principal será a sugestão de mais propostas para amenizar os efeitos da crise econômica. Segundo o jornal, o governo estuda reduzir o Imposto sobre Operações Financeiras para setores como o agrícola e o automobilístico; abrir linhas de crédito para compra de máquinas destinadas à exploração do petróleo; e até fazer campanhas publicitárias incentivando a população a consumir. A área econômica precisa conciliar o desejo do presidente Lula de que o PIB cresça 4% em 2009 à expectativa de perda de arrecadação de, pelo menos, R$ 8 bilhões.

3. O comércio de luxo se vira em meio à crise
A Folha (para assinantes) publica nesta segunda-feira entrevistas com dois grandes empresários do comércio de luxo: Carlos Jereissati, presidente do grupo que controla o Shopping Iguatemi, e Eliana Tranchesi, uma das sócias da butique Daslu. Os dois concordam que a crise econômica não vai deixar de bater na porta do setor, mas não prevêem um cenário de terra arrasada. Para Jereissati, “sempre quando há crise dessa natureza, em um primeiro momento o nosso setor é até beneficiado, porque as pessoas deixam de fazer investimentos de longo prazo e gastam no médio prazo”. E Eliana diz que seus clientes vão deixar de comprar “coisas grandes, como carro, jóia e barco”. Mas as roupas, por exemplo, não são “algo pesado” no orçamento dos super-ricos. Sorte deles.

4. Mais um paciente bilionário da crise: o Citigroup
O pronto-socorro econômico do governo americano ganhou mais um paciente peso-pesado: o Tesouro anunciou um plano de salvamento do Citigroup, o segundo maior banco do país, depois que suas ações caíram mais de 60% na semana passada. Segundo o The Wall Street Journal, o governo vai adquirir US$ 20 bilhões em ações da instituição financeira, além de se comprometer a garantir até US$ 306 bilhões de empréstimos e títulos de alto risco do Citi – os chamados créditos podres. Diz o WSJ: “Se o plano for bem-sucedido, vai ajudar a trazer estabilidade para todo o sistema financeiro. Se não der certo, emergirão incertezas ainda mais acentuadas sobre o futuro do setor.” O jornal oferece para leitura, em PDF, os termos do acordo.

Brasil
5. A tragédia no Sul
Não pára de subir o número de mortos por causa das chuvas em Santa Catarina. No início da manhã, já eram 33 vítimas, como informa o Diário Catarinense. O número de desabrigados passa de 19 mil, e a Defesa Civil alerta para o risco de novos temporais. O governo do Estado já pediu ajuda ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seja por meios financeiros ou pelo envio de soldados das Forças Armadas para ajudar na reconstrução das cidades afetadas. A situação é trágica, mas o povo de Santa Catarina já enfrentou situação semelhante em 1983 e 1984, quando duas enchentes assolaram a região de Blumenau. É preciso, talvez, recuperar o espírito daquela época, em que os catarinenses não se abalaram e, justamente para angariar fundos, criaram a Oktoberfest, hoje uma das maiores festas do Brasil.

Mundo
6. Brasil suspende projetos com o Equador

O governo brasileiro, aparentemente, cansou-se de levar seguidas “bordoadas” diplomáticas do Equador. Depois de convocar de volta para o país o embaixador brasileiro em Quito, Antonino Porto, o presidente Lula decidiu que todos os projetos de cooperação com os equatorianos nas áreas de saúde, educação, meio ambiente e energia serão paralisados, segundo fontes ouvidas pelo jornal O Globo (íntegra para assinantes). O Planalto só vai retomar as relações diplomáticas normais com o Equador se receber um gesto de boa vontade do presidente Rafael Correa, o que parece improvável no curto prazo. Só para refrescar a memória: Correa expulsou a Odebrecht de seu país após problemas na hidrelétrica de San Francisco e, agora, tenta anular uma dívida de US$ 243 milhões com o BNDES, justamente para financiar essa usina.

7. Chávez vence na maioria dos estados, mas tem derrotas importantes
É possível dizer que um político não triunfou se seus partidários foram eleitos em 17 de 22 estados no país que ele governa? Talvez. Pelo menos no pleito ocorrido ontem na Venezuela. O presidente Hugo Chávez usou de todos os meios para intimidar seus opositores e garantir uma ampla vitória nos estados. As derrotas foram poucas, realmente, mas sentidas. Chávez viu seu partido ser batido na prefeitura de Caracas, o segundo posto mais importante do país, atrás apenas da própria presidência. A oposição também venceu no distrito federal de Miranda, onde fica Caracas, e no rico estado de Zulia, que detém a maior parte das reservas de petróleo do país. Para a BBC Brasil, “todos ganham” nas eleições venezuelanas, mas a impressão é que a oposição ganhou mais, mesmo com menos. Agora é esperar para ver como Chávez vai reagir…

8. A equipe de Obama vai ganhando cara
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, já decidiu qual vai ser sua “tropa de choque” na economia: Timothy Geithner terá a dura missão de comandar o Tesouro americano, e Larry Summers assumirá o Conselho Nacional de Economia. É quase certo que sua ex-rival nas prévias democratas, a senadora Hillary Clinton, ficará com a secretaria de Estado. Mas o importante mesmo, diz o blog político The Fix, do jornal The Washington Post, é a economia. E Obama teria decidido acertar logo a equipe econômica antes do feriado nacional de Ação de Graças, amanhã, para causar uma boa imagem entre a população. “Obama terá de mostrar resultados, é claro, mas no curto prazo o objetivo do anúncio da equipe é garantir que as famílias americanas sentem-se à mesa para o jantar de Ação de Graças com o sentimento de que o presidente está preocupado com a economia”, diz o blog.

9. Brasil e México serão prioridades de Obama na AL
O jornal argentino La Nación ouviu assessores da equipe de Barack Obama sobre política externa e, segundo essas fontes, o novo presidente americano considera o Brasil e o México suas prioridades nas relações com a América Latina. Do ponto de vista econômico, algo natural, pois estamos falando das duas maiores economias da região. Sobre a Venezuela, os EUA esperam um gesto mais receptivo. E, para a Cuba, a aposta é no multilateralismo, ou seja, eles não querem se intrometer de forma direta. O atual subsecretário de Estado americano para a AL, Tom Shannon, pode virar embaixador no México ou mesmo no Brasil. E, diz o La Nación, a esperada visita de Obama ao Brasil deve ocorrer imediatamente antes ou depois da Conferência das Américas, em Trinidad e Tobago, entre 17 e 19 de abril de 2009.

10. Israel põe na cadeia oito jovens neonazistas
Numa decisão histórica, como diz o jornal espanhol El País, a justiça israelense condenou de um a sete anos de prisão oito jovens judeus que faziam parte de um grupo neonazista, chamado Patrulha 36. Eles eram acusados de agredir dependentes químicos, gays, imigrantes e judeus ortodoxos. “A notícia da existência de neonazistas em Israel, um estado criado após o holocausto em que milhões de judeus foram mortos, provocou uma onda de indignação”, afirma a reportagem. E outra ironia da história: um dos condenados é neto de um sobrevivente do holocausto.

As dez mais de 21 de novembro

Sex, 21/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Orkut e Youtube agora são provas judiciais
A reportagem não saiu com muito destaque na edição desta sexta-feira do Valor Econômico, mas revela uma tendência importante nos tribunais brasileiros: a aceitação de conteúdo do Orkut e do Youtube como prova judicial. O jornal cita alguns casos, como o de um funcionário de uma empresa que aparecia, num vídeo do Youtube, fazendo manobras perigosas com uma empilhadeira, sem autorização. A companhia usou as imagens para comprovar a demissão por justa causa, o que foi aceito pela Justiça do Trabalho. Em outro caso, um recado no Orkut (“Irmãozinho, conte comigo amanhã no fórum”) foi suficiente para caracterizar o falso testemunho de uma pessoa que havia negado ter uma relação de amizade com o réu de um processo trabalhista. É claro que, no ambiente virtual, ainda é relativamente fácil forjar uma informação, ou seja, a Justiça precisa tomar cuidado com a veracidade da prova. Por outro lado, porém, é um aviso para quem imagina que a web continua a ser território livre para fazer o que bem quiser.

Economia
2. Abram alas que o BB vai passar
Era questão de tempo. Ontem, feriado em muitas cidades, foi oficialmente anunciada a compra do banco estatal paulista Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, por R$ 5,38 bilhões. Todos os jornais abordam o principal objetivo do BB no negócio: buscar a retomada do posto de maior instituição financeira do país, perdido após a fusão Itaú-Unibanco e ainda não recuperado. Já na manchete, o Estadão indica a luta do BB para voltar ao topo: “BB compra a Nossa Caixa e negocia mais dois bancos”, referindo-se aos próximos alvos do gigante estatal: os bancos Votorantim e BRB. Como já vinha se falando neste espaço, a operação foi benéfica também para quem vendeu, no caso, o governo de São Paulo. O governador José Serra (PSDB) diz que vai investir o dinheiro em projetos de infra-estrutura e em hospitais. E, claro, vai ganhar capital político para disputar o Palácio do Planalto em 2010.

3. Lula assina decreto para permitir venda da BrT para Oi
Aos poucos, mas a venda da Brasil Telecom para a Oi vai se concretizando. Segundo a Folha (para assinantes), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que reforma o Plano Geral de Outorgas, condição fundamental para que uma operadora de telefonia compre outra que atua em área diferente. Feito isso, a Oi vai apresentar à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) um pedido de anuência prévia da operação, uma vez que, pelo contrato de compra, a empresa terá de pagar uma multa de R$ 490 milhões à BrT caso o negócio não seja fechado até 21 de dezembro. De acordo com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, a Anatel não vai impor resistência.

Investigação
4. Relatório da PF acusa Dantas de fazer “intimidação”

O Estadão antecipa nesta sexta-feira trechos do novo relatório da Polícia Federal, a ser entregue à Justiça, contra o banqueiro Daniel Dantas. Agora sob o comando do delegado Ricardo Saadi, a investigação aponta para “o uso da corrupção e da intimidação para alcançar seus objetivos”, em referência às ações de Dantas. O texto cita a forma como a organização comandada pelo banqueiro teria abordado a juíza Márcia Cunha Silva Araújo de Carvalho, da 2ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. “Segundo depoimento da magistrada, após decidir uma questão contra o Opportunity, a mesma passou a sofrer uma série de ameaças e atos de intimidação. Na mesma época, o marido dela também teria sido convidado para trabalhar para o Opportunity com uma remuneração altíssima. Após se declarar suspeita, todas as ameaças e tentativas de intimidação cessaram.” E a PF novamente acusa Dantas de “manipular notícias e opiniões da imprensa”. Já se disse que a investigação de Saadi será muito mais objetiva que a de Protógenes Queiroz. Se realmente for, Daniel Dantas poderá ter mais dificuldades de se livrar da prisão.

Educação
5. Depois da cota racial, vem a cota social

A Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que deve estender a polêmica sobre a reserva de vagas em universidades federais e escolas técnicas. O texto diz que metade das matrículas nessas instituições deve ser destinada a alunos que cursaram integralmente os três anos do ensino médio em escolas públicas. Os deputados incluíram no projeto (aí a polêmica) a determinação de que, dentro desses 50%, metade será preenchida por estudantes cuja renda familiar não passe de um salário mínimo e meio per capita. A outra metade fica para a cota racial, só que estabelecida de acordo com a proporção étnica de cada estado. Complicado? Sim. O Globo dá um exemplo: se um curso de direito oferece 200 vagas, cem ficarão para os candidatos de escolas públicas. Desse grupo, 50 serão destinadas a estudantes de baixa renda, negros ou não. E as outras 50 serão divididas conforme a distribuição porcentual de negros, índios e pardos no estado em questão, tendo como base o último censo do IBGE. Parece complexo demais para dar certo…

Política
6. TSE cassa governador da Paraíba

O cerco ao governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), vai se fechando. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu ontem, por unanimidade, pela cassação do político e de seu vice, José Lacerda Neto (DEM), acusados de abuso do poder econômico nas eleições estaduais de 2006. Segundo as investigações, a equipe de campanha de Cunha Lima distribuiu 35 mil cheques para eleitores de baixa renda, como parte de um programa assistencial. A Folha Online informa que o governador vai recorrer à última instância possível, o Supremo Tribunal Federal. Se não conseguir mudar o veredicto do TSE, a lei determina que ele entregue o cargo para o senador José Maranhão (PMDB), segundo colocado na disputa eleitoral à época.

Mundo
7. EUA: o império se enfraquece

Os Estados Unidos não têm mais a antiga influência global e o mundo caminha para um período de “imprevisível e de crescente instabilidade”, afirma o relatório produzido pelo Conselho Nacional de Inteligência do governo americano. Segundo o levantamento, realizado sempre às vésperas da posse do novo presidente, a predominância da democracia nos padrões ocidentais está ameaçada pela possibilidade de alguns países passarem a ser governados por redes criminosas. O fim da supremacia americana tem até uma data, informa o jornal britânico The Guardian: 2025. O relatório é lúcido ao afirmar que chegou ao fim uma era de relações unilaterais e imposições americanas, que tomou corpo com o fim da Guerra Fria e foi ampliada pelo governo Bush. Um aviso a Barack Obama para não repetir os erros de seu antecessor na Casa Branca: subestimar as forças em ascensão no cenário geopolítico mundial.

8. Argentina reestatiza sistema previdenciário
Depois de seguidos planos fracassados, como o aumento dos impostos de exportação dos grãos, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, comemorou a aprovação, no Congresso, da proposta de reestatização do sistema previdenciário, com cerca de 9,5 milhões de contribuintes e 94 bilhões de pesos em caixa. A previdência estava nas mãos da iniciativa privada fazia 14 anos. No Clarín, o ministro do Interior, Florêncio Randazzo, diz que se trata da “melhor notícia para aposentados e pensionistas”. Ainda há, porém, uma certa desconfiança de como o governo vai gerir o sistema e se terá capacidade de honrar compromissos em tempos de crise econômica global. Cristina alega que pretende “proteger” os aposentados da queda de rentabilidade dos fundos privados. Será, talvez, o maior teste de credibilidade desde o início de seu mandato.

9. A derrota de Guantánamo
Pela primeira vez desde o início da chamada guerra ao terror, a Justiça americana ordenou a libertação de acusados de terrorismo que eram mantidos presos na prisão da Ilha de Guantánamo, base americana em território cubano. Segundo o The New York Times, o juiz Richard Leon, da Corte Federal em Washington, determinou que cinco prisioneiros argelino, mantidos presos havia sete anos, fossem soltos por falta de evidências. Os homens fazem parte de um grupo de prisioneiros que ganhou uma batalha na Suprema Corte americana, em 2006, ao obter o direito de recorrer judicialmente das ordens de prisão. O governo afirmou que vai recorrer na Suprema Corte. Dada por um juiz que anteriormente defendeu as ações governamentais contra o terrorismo, a sentença é considerada o primeiro passo para mudanças na controversa e criticada política americana de caça aos terroristas - que, segundo entidades humanitárias, vem encarcerando por mais de meia década milhares de inocentes na prisão da ilha cubana.

10. Correa vai dar calote?
O governo do Equador entrou com uma ação internacional para suspender o pagamento da dívida de US$ 243 milhões contraída com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a construção da usina hidrelétrica San Francisco (a mesma que provocou a expulsão da construtora brasileira Odebrecht). De acordo com a BBC, o pedido foi apresentado na Câmara de Comércio Internacional, em Paris, e afirma que o contrato com o banco estatal brasileiro tem “vício de ilegalidade”. A medida foi anunciada com um relatório da Comissão de Auditoria da Dívida Externa, afirmando que uma parte da dívida externa do país é ilegal e que, portanto, poderá não ser paga. O Itamaraty ainda não se pronunciou, mas o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em outubro que, se o Equador não honrasse o compromisso com o BNDES, a relação comercial entre os dois países seria cortada. O episódio é mais uma amostra do caráter volúvel do presidente equatoriano, Rafael Correa. Ele afirmara que esperaria uma auditoria interna antes de tomar decisões sobre o caso. Correa dá indícios de que planeja decretar moratória de sua dívida externa, manobra que o aproximaria ainda mais da Venezuela, já que outros organismos pensariam duas vezes antes de conceder crédito ao país.

Com Thiago Cid