Formulário de Busca

As dez mais de 20 de novembro

Qui, 20/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Enfim, uma MP contestada
O mecanismo da Medida Provisória vinha sendo, fazia um bom tempo, o meio mais fácil de o Executivo impor a aprovação de medidas que passavam longe do caráter de relevância e urgência, como prevê a Constituição. O Congresso nada fazia para impedir o abuso das MPs e engolia tudo o que lhe ofereciam. Até que, ontem, o estômago dos parlamentares não suportou a MP 446, editada pelo Planalto para renovar o certificado de 2.274 entidades filantrópicas, muitas delas suspeitas de irregularidades - ou seja, um caso para o qual não havia o menor cabimento fazer uma MP. Mesmo hesitante, como relata O Globo, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), tomou uma decisão importante: devolveu a proposta ao Executivo, o que não ocorria desde 1989. Os governistas chiaram, disseram que isso levaria ao “caos legislativo”. É bem possível que o Executivo encontre outra forma de empurrar a anistia às filantrópicas, mas só o fato de o Senado ter desafiado a “MPcracia” já foi um avanço.

2. Comissão especial aprova o texto da reforma tributária
O dia não foi só de derrotas para a base governista ontem. No fim da noite, a comissão especial da reforma tributária aprovou, sem dificuldades, o texto do relator Sandro Mabel (PR-GO). O Correio Braziliense (íntegra para assinantes) informa que, enquanto a maioria dos deputados estava assistindo ao jogo do Brasil no Estádio Bezerrão, os membros da comissão votavam o relatório e mais 27 emendas. A oposição queria mais tempo para discutir as propostas, mas não teve voz. O texto prevê, entre outras medidas, a ampliação de R$ 2,8 bilhões para R$ 3,5 bilhões do valor destinado aos estados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento Regional. Cada estado também receberá R$ 8,2 bilhões do Fundo de Equalização de Receitas (FER), no primeiro ano de vigência da reforma, em compensação por eventuais perdas com a unificação da legislação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. O relatório, diga-se, foi bem recebido por várias entidades da indústria.

3. BNDES pode usar dinheiro do FMI e Fed
A demanda do mercado por financiamentos do BNDES não diminuiu, mas as fontes de recurso do banco, sim. Por isso, o governo está cogitando cada vez mais a possibilidade de sacar recursos da linha de contingência criada há pouco pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e parte dos US$ 30 bilhões vindos de um acordo cambial com o Fed (banco central americano) para reforçar o caixa do BNDES em 2009. A informação está na manchete do Valor Econômico. O jornal explica, em números, por que o banco estatal está atrás de novos canais de crédito: a instituição tem uma carteira de R$ 120 bilhões em projetos aprovados para os próximos 12 meses, mas só dispõe, no momento, de R$ 58 bilhões em recursos garantidos.

4. O mensalão mineiro na mira do MPF
O empresário Marcos Valério ficou conhecido nacionalmente após ser apontado como o suposto operador do mensalão, um esquema segundo o qual deputados teriam recebido propina para aprovar projetos de interesse do governo Lula. No entanto, seu histórico em capítulos obscuros da política é mais antigo. Ontem, o Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra ele e outras 26 pessoas por crimes relacionados ao chamado mensalão mineiro, em 1998, um suposto esquema de caixa 2 e desvio de verba pública para financiar a campanha à reeleição do então governador de Minas Gerais, Eduardo Azeredo (PSDB), hoje senador - ele não está entre os indiciados. Valério é acusado de corrupção ativa e passiva e de lavagem de dinheiro, informa o Estadão (para assinantes).

5. Nem com “ginástica” Vale evita demissões
O presidente da Vale, Roger Agnelli, disse que a empresa vai ter de “fazer ginástica” para não cortar empregos nos próximos meses, dada a menor demanda mundial por minério de ferro em tempos de crise. Pelo que informa a coluna de Mônica Bergamo, da Folha (para assinantes), a ginástica terá de ser intensiva. Cerca de 400 pessoas foram dispensadas nos últimos dez dias e “até ontem a companhia continuava a mandar gente embora”. Sem contar o fato de que a mineradora já havia dado férias coletivas a 2.300 de seus 56 mil funcionários.

6. Os indiciados pelo acidente da TAM
A Polícia Civil de São Paulo cumpriu o que vinha anunciando e indiciou dez pessoas por conta do acidente com o Airbus da TAM no aeroporto de Congonhas, em 17 de julho de 2007, que deixou 199 mortos. Na lista dos supostos responsáveis estão os ex-presidentes da Anac, Milton Zuanazzi, e da Infraero, José Carlos Pereira, além de funcionários da TAM. Nenhum representante da companhia Airbus foi indiciado, mas, segundo o Estadão, o delegado responsável pelo inquérito vai pedir à Justiça a responsabilização da fabricante do avião. Cada um pode pegar até seis anos de prisão por atentado contra a segurança do transporte aéreo. É claro que um processo desses, por sua complexidade, será longo, mas espera-se que a maior tragédia da aviação brasileira não passe em branco no campo das punições.

Mundo
7. Como Obama vai lidar com o terrorismo?

A divulgação de uma fita em que o número 2 da Al Qaeda, Ayman al-Zawahiri, ataca o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, reacendeu o debate sobre como o próximo líder americano deve enfrentar as ameaças terroristas. No vídeo, como informa o blog The Lede, do The New York Times, Al-Zawahiri diz que o plano de Obama de deslocar as tropas do Iraque para o Afeganistão “vai fracassar no nascedouro”. O Afeganistão, atualmente, é o reduto do grupo terrorista, e por isso seus líderes sentem-se incomodados com a idéia de os EUA se focarem nessa região. Obama, com uma dureza surpreendente, já disse que a solução para o fim do terrorismo passa por “prender ou matar” Osama bin Laden, líder da Al Qaeda. Será mesmo uma condição imprescindível ou uma supervalorização do terrorista saudita? A verdade é que, ainda sem nem ter tomado as rédeas da Casa Branca, Obama já sabe que os radicais islâmicos não nutrem nenhuma simpatia por ele.

8. Evo Morales diz ter sido grampeado por americanos
O presidente da Bolívia, Evo Morales, está acusando a agência anti-drogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês) de ter montado um gabinete de escutas telefônicas na estatal de telecomunicações Entel para realizar grampos em linhas de autoridades do governo, incluindo ele mesmo, e de dirigentes de seu partido, o Movimiento Al Socialismo (MAS). Morales diz, de acordo com o diário espanhol El País, que o suposto grampo é “uma mostra clara da ingerência política que a DEA vinha cometendo na Bolívia”. Ele já expulsou os agentes da DEA do país, alegando que o órgão americano estava tentando desestabilizar o governo. A denúncia de Morales precisa, sim, ser investigada por uma comissão neutra, até para não haver ainda mais atritos na já conturbada relação Bolívia-EUA.

9. Crise traz desconfiança a empresários brasileiros na Venezuela
O Valor Econômico publica nesta quinta-feira uma reportagem sobre a expectativa vivida por empresas brasileiras que atuam na Venezuela, diante da forte queda dos preços do petróleo provocada pela crise global. Elas devem reduzir um pouco o ritmo de gastos à espera de medidas que o governo de Hugo Chávez deve tomar para contornar a seca de recursos oriundos do petróleo. A construtora Odebrecht, que tem algumas grandes obras no país, já trabalha com um eventual “alongamento” dos prazos dos projetos, mas acredita que a Venezuela vai conseguir sobreviver à crise. A petroquímica Braskem havia causado certo temor por conta de uma suposta intenção de reduzir investimentos em solo venezuelano, mas já reafirmou seus compromissos no país vizinho.

10. Jobim ao La Nación: “Os EUA não devem se meter nos nossos assuntos”
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse ao jornal argentino La Nación que o Conselho de Defesa Sul-Americano é uma proposta que deve ser discutida apenas pelos países diretamente envolvidos, sem interferência dos Estados Unidos. Ele afirmou que, ao ser indagado pelos secretários americanos de Defesa, Robert Gates, e de Estado, Condoleezza Rice, sobre o conselho, lhes avisou que se tratava de um tema no qual “eles não deveriam se meter”. A declaração dura do ministro agradou aos argentinos, que também não vêem com simpatia uma ingerência americana em assuntos militares. Tanto que Jobim é definido pelo jornal como “um notável orador, capaz de seduzir a seus vizinhos sobre a necessidade de criar o primeiro organismo de defesa da América do Sul”.

As dez mais de 19 de novembro

Qua, 19/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Áudio sugere que Protógenes não quis deixar a Satiagraha
A gravação de quase três horas da reunião que afastou o delegado federal Protógenes Queiroz da Operação Satiagraha continua rendendo polêmica. A Folha (para assinantes) informa hoje que, pela íntegra do áudio, o delegado não pediu para deixar as investigações, como foi divulgado pela Polícia Federal em julho, quando uma fração da conversa foi passada à imprensa. Segundo o jornal, Protógenes pediu para continuar trabalhando no caso por mais 30 dias enquanto freqüentava um curso na academia da PF, ou então para auxiliar formalmente seus substitutos. Ambos os pedidos foram recusados. A conversa ainda deixa claro que a atuação do delegado incomodou a cúpula da PF. O diretor de combate ao crime organizado da direção geral da instituição, Roberto Troncon Filho, chegou a dizer a Protógenes que ele vivia uma “paranóia” e que estava disseminando “uma virose”, “contaminando” a PF. A divulgação total do áudio mostra que os erros na Satiagraha não acabaram quando Protógenes deixou o caso. Sem transparência, a PF divulgou uma informação falsa sobre a substituição do delegado, tornando o caso ainda mais confuso.

2. PF vai pedir novamente prisão de Dantas
Está na manchete do Estadão: o delegado Ricardo Saadi, que substituiu Protógenes no comando da Operação Satiagraha, diz ter elementos objetivos para pedir novamente a prisão de Daniel Dantas – o ex-banqueiro já foi detido duas vezes, ainda com Protógenes à frente das investigações. De acordo com a reportagem, Saadi recebeu a missão de “desidratar” o relatório do ex-chefe da operação, eliminando considerações subjetivas do texto e, principalmente, evitando novos vazamentos que comprometessem a credibilidade dos trabalhos. O pedido de prisão, que pode ser temporária (por cinco dias, renováveis por mais cinco) ou preventiva (enquanto durar a instrução criminal), terá como base o mesmo argumento das duas anteriores: o risco de Dantas atrapalhar os trabalhos da Justiça.

3. O nebuloso propinoduto do ex-banqueiro
Uma pequena nota na cobertura da Folha (para assinantes) sobre a Operação Satiagraha diz que o delegado federal Carlos Eduardo Pellegrini, um dos envolvidos no caso, relatou na reunião de afastamento de Protógenes que agentes federais apreenderam, no apartamento de Daniel Dantas, documentos que apontariam pagamento de propina a políticos, juízes e jornalistas. A revelação está gravada na fita que documentou o encontro. À Folha, ontem, Pellegrini afirmou não se recordar de ter falado isso na reunião – o que, convenhamos, é pouco crível, dada a gravidade da declaração. A matéria não deixa claro se as aspas de Pellegrini presentes no texto são a transcrição do áudio ou o que ele disse agora ao jornal: “É um grupo muito forte. Eu fui executar a prisão [de Dantas] lá no [escritório do advogado] Nélio Machado [em SP] e tinha dois desembargadores aposentados e um juiz do Rio. Na casa do Dantas eu achei vários documentos - o Vitor achou de 2004 -, de 2007, R$ 18 milhões de pagamento de propinas para políticos, juiz, e jornalistas no ano de 2007”. Pellegrini não citou nenhum nome dos supostos beneficiários da propina. Espera-se que a PF não ignore essa acusação, por mais nebulosa que seja.

4. País tem quase 12 mil grampos autorizados
Em 13 de julho, o Globo deu manchete para a informação de que a Justiça havia autorizado 409 mil grampos em 2007, segundo relatórios enviados pelas companhias telefônicas à CPI dos Grampos na Câmara. Hoje, também no Globo, está a notícia de que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou a existência de 11.846 escutas telefônicas autorizadas judicialmente, após um levantamento feito nos cinco tribunais regionais federais e nos 27 tribunais de justiça estaduais e do Distrito Federal. O corregedor do CNJ, Gilson Dipp, considera normal o número divulgado ontem e diz que foi derrubada a tese de “farra dos grampos” no Brasil. Realmente, entre 409 mil e 11.846 há uma discrepância enorme, ainda não esclarecida. No entanto, só a questão de grandeza não é garantia de que esses grampos, mesmo com aval da Justiça, estão sendo realizados com um intuito objetivo, de benefício para uma investigação. Aí o desafio é muito maior do que qualquer número: ter um monitoramento constante do que tem sido extraído desses grampos.

Economia
5. Banco do Brasil perto de comprar a Nossa Caixa
A Nossa Caixa, banco administrado pelo governo de São Paulo, está nas mãos do Banco do Brasil. A concretização do negócio será definida nesta quarta-feira, em Brasília, onde o governador José Serra (PSDB) se reúne com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Na mesa do encontro, os dados revelam que o governo de São Paulo pede pela instituição pouco mais de R$ 7 bilhões e quer que o pagamento seja feito em dinheiro, com um prazo máximo de um ano para a quitação total”, diz a reportagem do Estadão. No entanto, Lula tentará convencer Serra a baixar um pouco o preço. O negócio é bom para os dois: Serra capitalizaria seu governo, pensando na disputa pelo Palácio do Planalto em 2010, e Lula fortaleceria o BB, que perdeu o posto de maior instituição financeira do país após a fusão Itaú-Unibanco. Basta saber quem vai obter mais vantagens…

6. Brasil pode repatriar até US$ 70 bilhões
Um projeto de lei do senador Delcídio Amaral (PT-MS), que tem apoio do governo, deve estimular a repatriação de US$ 65 bilhões a US$ 70 bilhões que saíram do Brasil durante crises econômicas anteriores ao longo das últimas três décadas. A informação é do Valor Econômico. Protocolada ontem no Senado, a proposta prevê incentivos fiscais para a regularização de ativos não-declarados no exterior e a atualização do valor de bens declarados no passado. Será possível, também, abrir conta corrente em dólar no país. É uma espécie de anistia ampla para pessoas físicas ou jurídicas que enviaram recursos ilegalmente ao exterior. A experiência já deu certo em países como Alemanha, Bélgica, Estados Unidos e Itália.

7. Inbev conclui compra da Anheuser-Busch
Após cinco meses da primeira oferta, a cervejaria belgo-brasileira Inbev adquiriu oficialmente ontem, por US$ 52 bilhões, a ex-concorrente americana Anheuser-Busch, dona da marca Budweiser. Com isso, a nova empresa se torna o maior grupo cervejeiro do mundo. O diário britânico Financial Times, que à época revelou a existência da negociação, informa que a atual crise financeira fez muitos investidores desconfiarem de que a operação poderia ser adiada ou até mesmo suspensa, mas a estratégia da Inbev foi cercar-se de todas as garantias ante a Anheuser-Busch e seus credores para que o negócio vingasse. Para se ter idéia da complexidade do acordo, há 23 bancos financiando o empréstimo que determinou a aquisição.

Política
8. Lula diz que Temporão fica

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que não está pensando em fazer nenhuma reforma ministerial até abril de 2010, quando termina o prazo para que os eventuais candidatos se desvinculem do governo. E disse que o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, é da sua “cota”. “O Temporão é meu ministro, ele fica.” Como explica O Globo, a declaração de Lula é um recado ao PMDB, que vinha manifestando sua insatisfação com Temporão depois que ele criticou a gestão da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), cujo presidente foi indicado pela bancada do partido na Câmara. E, como sempre, o PMDB está de olho em mais ministérios, daí o aviso de Lula de que não vai haver “presentes” ao partido.

Mundo
9. Henry Paulson sob pressão no Congresso

A função do secretário de Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, tem sido das mais ingratas. É nele que está recaindo a maioria das críticas à forma como o país tenta reagir à brutal crise financeira, iniciada no mercado imobiliário e alastrada entre diversos setores, como o automobilístico. Em sessão ontem no Congresso, Paulson foi bombardeado pelos parlamentares, que o acusam de gerenciar às cegas o pacote de US$ 700 bilhões aprovado para tentar aplacar a derrocada econômica. “Você parece estar voando num avião de US$ 700 bilhões sem ter experiência nenhuma de pilotagem”, disse o deputado democrata Gary Ackerman. Segundo o jornal The Washington Post, a audiência de ontem “ofereceu uma prévia das pressões vindas do Congresso que a administração de Barack Obama vai enfrentar”. Os democratas são os mais descontentes: exigem do governo uma decisão rápida sobre como ajudar proprietários de imóveis endividados e também as montadoras.

10. Chávez não quer perder de jeito nenhum
O presidente venezuelano Hugo Chávez já deu todos os indícios de que não aceitará surpresas nas eleições regionais do próximo domingo. Ontem, já havíamos citado a reportagem da Folha sobre o “candidato de cartolina”, um ex-governador de oposição que usa bonecos em tamanho real, na campanha pelo governo do estado de Yaracuy, para compensar sua ausência – após ter de deixar o país sob intimidação do regime chavista. Agora, o Estadão traz a notícia de que Chávez está investindo pesado na campanha de seu candidato no estado de Zulia, considerado estratégico por ser o maior produtor de petróleo do país. O problema é que se trata de um reduto da oposição. Os partidários do presidente têm intimidado e difamado os opositores, sem contar o dinheiro aplicado nos comícios governistas. Chávez já foi à região cinco vezes para fazer campanha. “Vamos converter Zulia em uma terra maravilhosa, em uma terra socialista.”

As dez mais de 18 de novembro

Ter, 18/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. R$ 373,5 bilhões
A cifra acima corresponde ao valor total das medidas já anunciadas pelo governo federal para tentar aplacar os efeitos da crise econômica. A soma está na capa do Globo desta terça-feira, que inclui nessa conta a liberação de mais duas linhas de financiamento pela Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. São R$ 8 bilhões para financiar a compra da casa própria de até 1,3 milhão de servidores federais (ativos e inativos). E, para 2009, os bancos públicos vão oferecer mais R$ 5 bilhões em crédito consignado (com desconto em folha). O governo pode até ter demorado para se dar conta da dimensão da problema, mas ninguém pode acusá-lo de omissão neste momento. Bem ou mal, estão fazendo alguma coisa…

2. A crise vai ao campo…
O agronegócio continua a ser uma das principais fontes de receita para o país, mas as falhas nesse motor da economia vão se tornando mais evidentes com a crise. Uma reportagem da Folha (para assinantes) mostra que em Mato Grosso, estado que é uma das potências do setor, 70% dos agricultores deixaram de pagar seus débitos na parcela de R$ 1 bilhão (vencida em 15 de outubro) referente ao financiamento de máquinas agrícolas. Para o governador Blairo Maggi (PR), “estourou a bolha do ’subprime’ agrícola”. Subprime são os créditos de alto risco que instituições americanas concederam a proprietários de imóveis que não tinham condições de honrar seus compromissos. O mesmo estaria sendo registrado no campo, onde o produtor não está conseguindo pagar o que deve. Por isso, bancos ligados às montadoras de máquinas já estão seqüestrando judicialmente os equipamentos como garantia de pagamento.

3. E o BB tenta se resguardar
O Banco do Brasil sabe que a situação financeira dos agricultores não é das melhores. Na tentativa de dar mais proteção ao Tesouro Nacional e aos próprios produtores, a instituição está negociando com o governo uma ampla mudança no sistema de crédito rural, segundo o Valor Econômico. Entre as alterações propostas há o estabelecimento de taxas de juros pelo risco da operação e a obrigatoriedade de adesão do agricultor ao seguro rural. O foco do banco é diminuir o custo anual de renegociação das dívidas - entre 2002 e 2006, foram gastos R$ 10,1 bilhões para rolar o montante devido. “O governo podia gastar de maneira mais inteligente e racional. Precisa se antecipar e assegurar subsídios ao seguro e ‘hedge’ (proteção contra a oscilação dos preços agrícolas). Com menos dinheiro, poderia dar garantia de renda e superar as renegociações”, diz Luís Carlos Guedes, vice-presidente de Agronegócios do BB.

4. Grandes empresas européias querem socorro maior
O G-20 não tem sido o bastante. Um grupo formado pelos maiores conglomerados empresariais da Europa, que inclui, entre outros, Nokia, Siemens, BP, Nestlé, Unilever, Renault, Telefônica e Rio Tinto, divulgou um comunicado em que pede ações além do que vem sendo proposto pelo bloco das nações mais ricas do mundo. O Estadão informa que as empresas querem uma redução maior de impostos, corte nas taxas de juros, maior acesso a créditos e a conclusão da Rodada de Doha. Elas cobram uma posição mais dinâmica principalmente do governo da Alemanha, por ser a maior economia do continente. A União Européia afirmou que no dia 26 deste mês deve anunciar um plano para atender às reivindicações.

5. Brasil e Argentina articulam barreiras a importações
O discurso do Brasil na cúpula do G-20, em Washington, foi de rejeição ao protecionismo, inclusive com a defesa de uma moratória de 12 meses para medidas que impõem barreiras comerciais. Agora, na volta para casa, a conversa começa a ser outra. A BBC Brasil informa que autoridades brasileiras e argentinas já concordaram em propor um aumento da Tarifa Externa Comum do Mercosul para produtos como vinhos, frutas, lácteos, couro e móveis de madeira. Para a Secretaria de Indústria do governo argentino, “não se trata de protecionismo, mas sim de defender nossa produção”. Uma explicação pouco convincente. A BBC diz ter procurado os representantes brasileiros que foram a Buenos Aires costurar esse plano comercial, mas não os localizou. Nosso governo terá de achar uma justificativa melhor para essa aparente contradição entre discurso e prática.

6. NY Times cobra honestidade dos EUA com etanol
Um editorial do jornal The New York Times, publicado nesta terça-feira, cobra da agência de proteção ambiental do governo americano (EPA, na sigla em inglês) honestidade na avaliação do impacto no ambiente provocado pela obtenção de etanol. O jornal lembra que a EPA, até o ano passado, considerava o etanol de milho mais “limpo” que a gasolina, mas já surgiram estudos alegando que as emissões de carbono decorrentes do preparo da terra para o plantio do grão estavam sendo subestimadas. A agência teria sido pressionada pela indústria do etanol de milho a desconsiderar essas pesquisas por uma suposta falta de fundamentação científica. Por trás desse debate, há a insistência americana com o álcool de milho, sabidamente mais dispendioso que o de cana-de-açúcar. Se o produto americano perder a credibilidade ante a gasolina, é a chance de o nosso álcool entrar com força no mercado de lá.

Justiça e Segurança Pública
7. Polícia deve indiciar supostos responsáveis por acidente da TAM

Depois de antecipar o laudo do Instituto de Criminalística sobre o acidente com o Airbus da TAM, que deixou 199 mortos em 17 de julho de 2007, o Estadão informa que a Polícia Civil deve indiciar - e não apenas apontar - os supostos responsáveis pela maior tragédia da aviação brasileira, acusando-os de atentado contra a segurança do transporte aéreo. “Os nomes só deverão ser revelados na sexta-feira, embora o indiciamento de ex-integrantes da cúpula da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) seja dado como certo, assim como o de funcionários da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) e da TAM”, diz a reportagem. Eles podem pegar até seis anos de detenção.

8. No Rio, homicídios dolosos caem pelo sétimo mês seguido
O Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro informou que o número de homicídios dolosos (com intenção de matar) caiu pelo sétimo mês consecutivo na capital fluminense. E, de janeiro a agosto deste ano, as 3.702 vítimas desse crime representaram o menor montante para o período desde 1991, quando foi iniciada a série histórica. Claro, a estatística de 3.702 assassinatos continua a ser absurda, mas já foi bem maior que isso. O Globo mostra, porém, que a ocorrência de vários outros crimes aumentou em agosto no Rio, na comparação com o mesmo mês de 2007, entre eles latrocínio (roubo seguido de morte), furto de veículos e roubo de aparelhos celulares.

Mundo
9. Obama é o Lincoln do século XXI?

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, reuniu-se ontem com o ex-rival republicano, John McCain, para discutir planos suprapartidários contra a crise. Sua estratégia de se aproximar de adversários políticos fez os americanos evocarem a figura de Abraham Lincoln, que governou o país entre 1861 e 1865 e conseguiu manter a unidade política mesmo com a Guerra de Secessão (embora tenha sido assassinado por um defensor dos sulistas, que se opuseram aos estados do Norte no conflito). O colunista Richard Cohen, do jornal The Washington Post, diz que Obama pode se inspirar nos valores democráticos de Lincoln, mas acredita que o novo presidente deveria se refletir em outro estadista mais recente: Franklin Delano Roosevelt, à frente da Casa Branca entre 1933 e 1945 e o responsável por combater os efeitos da Grande Depressão econômica. “Obama deveria se preocupar em ficar mais perto do otimismo e a capacidade de empatia de Roosevelt. Lincoln, às vezes um homem melancólico, pertence aos ‘tempos antigos’. Roosevelt pertence ao nosso tempo”, diz Cohen.

10. Venezuela tem “candidato de cartolina”
A dificuldade de ser oposição num país governado por Hugo Chávez causou uma situação engraçada, mas também lamentável. Está na Folha (para assinantes): o ex-governador oposicionista de Yaracuy, Eduardo Lapi, era o favorito para administrar novamente o estado, mas não podia fazer a campanha pessoalmente - asilado no Peru desde o ano passado, ele acusa o regime chavista de perseguição. Para compensar a ausência, Lapi mandou fazer 60 “clones” dele, de cartolina, para serem usados por seus partidários durante a campanha. Os bonecos, em tamanho natural, são levados a comícios e até a sessões da assembléia local. A Justiça Eleitoral venezuelana determinou que Lapi é inelegível porque não pode concorrer ao cargo “à distância”. O ex-governador, então, passou a candidatura ao irmão, Filipo, que percorre o estado acompanhado de Eduardo - na versão cartolina, é claro.

As dez mais de 17 de novembro

Seg, 17/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. G-20 decide monitorar 30 grandes bancos
As atenções no fim de semana estiveram voltadas para Washington, na reunião de cúpula do G-20, o grupo dos países mais ricos do mundo. E o encontro teve surpreendentes avanços, pelo menos no plano das intenções. Um desses avanços, que rendeu a manchete do Globo desta segunda-feira, foi a decisão de criar uma equipe de supervisores para monitorar 30 instituições financeiras em todo o mundo. A supervisão começaria até 31 de março de 2009. Falta definir quais seriam esses bancos, mas é provável que sejam escolhidos os 30 maiores – nesse caso, estaria na lista o novo Itaú-Unibanco. Para o jornal carioca, a medida servirá como “o maior teste da nova ordem econômica mundial”, além de ser “uma forma de evitar a repetição das falhas que deram origem à crise atual”.

2. Medida do G-20 se choca com planos de Obama
O comunicado final do encontro do G-20 reuniu 47 propostas para conter a crise financeira. Segundo a Folha (para assinantes), uma delas desagradou ao presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, embora ele não tenha tornado pública essa insatisfação. Trata-se do item 13, que determina uma moratória de 12 meses em medidas protecionistas pelos países signatários. “Se levado ao pé da letra, o compromisso pode inviabilizar o desejo de Obama de salvar a indústria automobilística local com dinheiro do governo, o que ele diz ser uma das prioridades do país”, diz a reportagem. Aliás, o presidente eleito reforçou a intenção de ajudar as montadoras durante a primeira entrevista a um veículo de imprensa, para o programa 60 Minutes, da rede de TV CBS. Com uma plataforma claramente protecionista, Obama pode ter mesmo problemas com a defesa (ao menos em tese) do livre-comércio feita pelo G-20.

3. OMC quer concluir Rodada de Doha ainda em 2008
A conclusão da Rodada de Doha, cujo objetivo é a liberalização do comércio mundial, era vista como algo pouco provável em curto prazo. Com a reunião do G-20 no fim de semana, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, viu “um estímulo político bastante necessário” para a retomada das negociações. O Estadão informa que a OMC quer convocar, para a semana do dia 10 de dezembro, uma conferência internacional para tentar fechar um acordo. O jornal relata, porém, que a proposta de ressuscitar Doha não tem unidade dentro do Mercosul. O Brasil apóia, mas a Argentina, preocupada com uma eventual concorrência externa em seu combalido parque industrial, vai se opor à idéia.

4. Depois de passar pela Europa, recessão chega ao Japão
A retração da economia já havia dado as caras na Europa: passou pela Itália, Alemanha e Reino Unido. Agora, a vítima é o Japão, a segunda maior economia do mundo. O PIB japonês sofreu uma redução de 0,1% no terceiro trimestre. Como já havia caído 0,9% no segundo trimestre, o cenário recessivo foi confirmado. “O país sofre com a queda do crescimento mundial, que provocou redução na procura por exportações japonesas”, diz a BBC Brasil. E o ministro da Economia, Kaoru Yosano, é realista: “A queda na economia vai continuar por algum tempo, enquanto o crescimento global se desacelerar.”

Biocombustíveis
5. Zoneamento para plantio de cana deve ser anunciado hoje

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve anunciar hoje, em São Paulo, o plano do governo para o zoneamento agroecológico da cana-de-açúcar – isto é, as áreas em que será permitida a expansão do plantio, vital para os interesses do Brasil com o etanol. A Amazônia e o Pantanal vão ficar de fora da trilha da cana. Lula participa da abertura da 1ª Exposição Internacional de Biocombustíveis, que vai até sexta-feira. O Valor Econômico (para assinantes) desta segunda-feira traz um encarte especial sobre as perspectivas dos biocombustíveis no Brasil. Vale a pena dar uma olhada.

Mundo
6. Iraque aprova saída de tropas americanas até 2011

O conselho de ministros do Iraque deu aval a um acordo que prevê a retirada integral das tropas americanas até 31 de dezembro de 2011. Além disso, o documento aprovado pelo Executivo iraquiano impõe restrições às operações militares americanas a partir de 1º de janeiro e determina a saída do Exército de áreas urbanas até 30 de junho do ano que vem. O Parlamento local deve aprovar as propostas no dia 24. O acordo, diz o jornal The New York Times, “reflete uma grande concessão do governo de George W. Bush, que vinha sendo publicamente avesso a cronogramas” para encerrar a ocupação no Iraque. Vem tarde esse prazo de retirada, mas ao menos veio…

7. Polícia francesa prende chefe do ETA
A polícia da França, em ação conjunta com a Guarda Civil espanhola, prendeu na cidade francesa de Cauterets o chefe militar do grupo terrorista basco ETA, Garikoitz Aspiazu Rubina, conhecido como Txeroki. Ele era apontado como o mentor operacional dos principais atentados do ETA. Junto com ele foi detida sua companheira, Leire López Zurutuza, também acusada de participação em vários ataques. O diário El País reproduz as declarações do primeiro-ministro espanhol, José Luis Zapatero, para quem a prisão de Txeroki é um “grande avanço” para desmobilizar o ETA.

8. Governo afegão tenta negociar com os talibãs
O presidente afegão, Hamid Karzai, já percebeu que não conseguirá acabar com os ataques de radicais talibãs pela via militar, nem mesmo com a ajuda do Exército americano, pois os inimigos estão espalhados por todo o país. A saída, então, é tentar negociar. Karzai ofereceu um forte esquema de segurança para receber o líder talibã Mullah Mohammad Omar e chegar a algum acordo. Segundo a agência Reuters, o grupo prometeu se manifestar em breve sobre a oferta de Karzai, mas ainda não acenou com uma eventual suspensão dos ataques. A estratégia do governo afegão é se aproximar dos talibãs mais moderados e tentar usá-los como ponte para conter o avanço do grupo entre muçulmanos mais radicais.

9. No Congo, negociação de paz parece distante
Uma tentativa de cessar-fogo também foi proposta na República Democrática do Congo (ex-Zaire), onde um conflito entre as etnias tutsi e hutu já causou centenas de mortes e deixou milhares de desabrigados. O líder rebelde Laurent Nkunda, que chefia as ações dos tutsis contra o governo de Joseph Kabila (ligado aos hutus), concordou em negociar um plano de paz com representantes das Nações Unidas. No entanto, informa o The Wall Street Journal, mal ele anunciou essa intenção, o Exército congolês e rebeldes iniciaram uma grande batalha no leste do país, apontada pela ONU como a pior de todas desde o começo do conflito. O caminho para a paz é longo…

10. Um amistoso para o governo ver
O amistoso entre Brasil e Portugal, na quarta-feira, em Brasília, não está chamando a atenção por causa da presença de vários craques. Por enquanto, são as pessoas que estarão nas arquibancadas o assunto dos jornais nesta segunda-feira. Tudo porque cerca de cinco mil autoridades, entre ministros do Executivo, de tribunais, parlamentares e altos funcionários públicos, ganharam ingressos para assistir à partida. Segundo O Globo (para assinantes), “quem não for autoridade, ou conhecido de alguma, terá que desembolsar muito”: as entradas vão de R$ 180 a R$ 250. Para tentar dar um verniz social ao evento, o governo do Distrito Federal sorteou ontem 2,5 mil ingressos para a população da cidade-satélite do Gama, onde fica o estádio da partida. Mais do que sorte, bom mesmo é ser amigo do governo nessas horas.

As dez mais de 14 de novembro

Sex, 14/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Relatório da PF acusa Dantas de lavar dinheiro com gado
A Folha de S.Paulo teve acesso a alguns dados do relatório parcial que o delegado federal Ricardo Saadi produziu a partir das investigações da operação Satiagraha, que investigou supostas irregularidades cometidas por Daniel Dantas. Em um texto enxuto, segundo a Folha, Saadi descreve de forma objetiva as atividades do banqueiro e coloca no centro das investigações as operações da Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, por meio da qual Dantas é acusado de lavar dinheiro. O texto ainda é parcial e, de acordo com o Globo, a PF enfrenta enormes dificuldades para devassar os arquivos dos famigerados discos rígidos de Dantas. O simples fato de a Santa Bárbara ser citada “desperta os instintos mais primitivos” em políticos de alto gabarito e, se for a fundo, essa investigação tem tudo para estremecer Brasília.

2. Perícia culpa Anac, Infraero, TAM e fabricante por tragédia
O Estadão revelou hoje as principais informações da perícia realizada pelo Instituto de Criminalística sobre o acidente ocorrido com o Airbus 320 da TAM, em 17 de julho do ano passado. Segundo o jornal, o IC aponta que uma grande conjunção de fatores provocou o maior desastre aéreo da história do país, com destaque para a Anac, que deveria vetar pousos em Congonhas quando as condições meteorológicas fossem adversas. A Infraero foi culpada pois permitiu que a pista fosse usada sem as tais ranhuras que escoavam a água, e a Airbus por não ter obrigado a instalação de um alarme que avisava aos pilotos sobre erro no posicionamento dos manetes. Já a TAM errou ao mandar seu avião para um aeroporto deficiente e no treinamento dos pilotos, que não seguiram procedimento correto. Fica claro que o relatório ratifica o que analistas já vinham dizendo: um setor público precário e atitudes inconseqüentes de empresas privadas mataram 199 pessoas.

3. Relatório da CPI das Milícias será divulgado oficialmente hoje
O ex-chefe da Polícia Civil do Rio Álvaro Lins e o deputado Natalino Guimarães (DEM) são os principais nomes da lista de cerca de 170 pessoas acusadas de fazer parte das milícias que tomaram conta de favelas cariocas cobrando mensalidades dos moradores em troca de uma suposta segurança. Como mostra o Globo, além dos dois, deputados, vereadores, policiais, bombeiros e até traficantes serão denunciados para a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça Eleitoral. O resultado da CPI da Assembléia Legislativa do Rio é algo quase inédito no Brasil – uma comissão parlamentar que é aberta, investiga, produz relatório e denuncia criminosos. O Rio teve a “sorte” de a CPI não ser esquecida ou paralisada em meio a festas como Carnaval e ano novo. Agora falta a Justiça ser feita contra esses grupos paramilitares que aterrorizavam a população mais carente do Rio.

Política
4. Lula prefere Dilma. Só os aliados não sabiam

Não é novidade para ninguém que o presidente Lula planeja emplacar a ministra Dilma Rousseff como sua sucessora em 2010. Ele fez tal afirmação publicamente pela primeira vez para a imprensa italiana e alguns aliados acharam um absurdo que Lula falasse o que todo o Brasil já sabe. Segundo o Globo, o presidente do PT, Ricardo Berzoni, o deputado Luciano Castro (PR-RO), e o senador Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) demonstraram chateação com Lula. Esse tipo de reação é fruto da falta de transparência notória da política brasileira. Talvez se houvesse menos melindres com declarações públicas, os políticos fossem mais verdadeiros e tivessem uma imagem um pouquinho melhor para a população. Quem vai aproveitar bem a declaração é a oposição. Como disse o senador Agripino Maia (DEM-RN), depois dessa, Lula não poderá mais falar que é a oposição que está antecipando o debate e prejudicando a governabilidade.

5. Declaração de presidente do TSE abre crise com Legislativo
A reclamação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Carlos Ayres Britto, de que o Legislativo demorou a declarar a perda de mandato de Walter Brito Neto (PRB-PB), primeiro deputado federal cassado por infidelidade partidária, irritou o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), como mostra a Folha. Segundo Chinaglia, também há juízes que ficam meses “sentados em cima de processos”. Ayres Britto, o ministro zen, como mostrou ÉPOCA há duas semanas, disse que não há crise institucional e que foi mal interpretado. A reação de Chinaglia é compreensiva, pois o poder do qual é um dos líderes, foi atacado. O problema é que não faltam justificativas para criticar o Legislativo federal. Uma classe que trabalha de terça a quinta-feira, ganha salários desproporcionais a suas atividades, é controlada por MPs presidenciais, vive em constante estado de torpor, aprovando feriados e dias santos enquanto o Supremo “legisla” sobre temas como fidelidade partidária e nepotismo não tem como se defender. O Congresso só tem uma alternativa para voltar a ser relevante: trabalhar.

Economia
6. G-20 pode ter reunião histórica. Ou mais um fracasso

O espanhol El País traz um relato hoje sobre os dois destinos que a reunião do G-20, que ocorre em Washington, pode vir a ter. O primeiro é um encontro histórico, que servirá para dar mais influência aos emergentes no sistema financeiro e para reformar a economia mundial de uma forma que crises como a atual sejam minimizadas. O outro é que o G-20 faça mais uma reunião retórica condenada ao limbo da memória coletiva mundial. Segundo o jornal, pesa a favor do primeiro desfecho a recessão que acertou em cheio os Estados Unidos e a Europa e pode alcançar os emergentes. O jornal lembra que enquanto Reino Unido e França propõem grandes reformas, George W. Bush fez ontem uma defesa do livre mercado, com propostas vagas e limitadas. O cenário atual é tão ruim que mesmo diante da histórica ação limitada de entidades multilaterais, é possível esperar um desfecho ao menos razoável para a reunião.

7. Crédito requer incentivo
A manchete do Valor Econômico de hoje destaca a recomendação que os técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) fizeram aos países do G-20. Se não houver uma reação rápida à recessão gerada pela falta de confiança, a crise pode gerar um ‘efeito bumerangue’ na relação entre os bancos e os países emergentes. No cenário elaborado pelos técnicos do FMI, os ativos mantidos pelos bancos de países desenvolvidos nas nações emergentes sofreriam uma desvalorização tão grande que eles passariam a reduzir ainda mais o crédito, arrastando o planeta para a recessão mundial. Aviso maior do que esse parece não haver.

8. Montadoras não terão ajuda nos EUA
A ajuda federal esperada pelas fabricantes de carros americanas não virá. Segundo o The New York Times, os líderes do partido Democrata que defendiam o auxílio às três grandes montadoras (GM, Ford, e Chrysler) estão cada vez mais pessimistas quanto ao apoio que a medida terá entre os congressistas republicanos. Mesmo os mais otimistas já consideram impossível que essas empresas recebam ajuda, e o problema é que as análises apontam que pelo menos uma das três deve falir sem ajuda. O mesmo Times avaliou na quinta-feira (leia a nota 3 das Dez Mais de ontem) que a falência talvez não seja tão ruim como parece. Faltou na análise o fator humano da economia. Será que o impacto na confiança do consumidor americano, já abalada, não vai aumentar ainda mais quando as manchetes destacarem a falência de um patrimônio cultural do capitalismo americano como a Ford e a GM?

Mundo
9. Mandato de seis anos é aprovado em primeira votação na Rússia

A BBC noticia que o parlamento russo aprovou hoje, por 338 votos a 58, o projeto que eleva de quatro para seis anos o tempo do mandato presidencial no país. O projeto, que contou com o apoio maciço do partido Rússia Unido, do primeiro-ministro Vladimir Putin, ainda precisa ser aprovado mais duas vezes pelos parlamentares, em sessões marcadas para a próxima quarta-feira. A pressa com que o projeto é votado e seu texto mostram que o atual presidente da Rússia, Dimitry Medvedev, não passa de uma marionete nas mãos de Putin. Segundo o texto, o mandato de seis anos só valerá para o próximo presidente. Assim, Putin, que deixou a presidência este ano após dois mandatos consecutivos, poderá voltar em 2012, e ficar no poder até 2024.

Ciência
10. Astrônomos descobrem quatro novos planetas fora do sistema solar

A revista científica Science publica nesta sexta-feira os estudos de duas equipes de astrônomos que conseguiram, pela primeira vez na história, avistar planetas extra-solares, como são chamados aqueles que estão fora do Sistema Solar. Segundo o Los Angeles Times, três planetas foram avistados por meio de telescópios localizados no Havaí. Eles se localizam ao redor da estrela HR8799, que está a 130 anos-luz da Terra. O outro planeta, ao redor da estrela Fomalhaut, que fica a 25 anos-luz da Terra, foi avistado por meio do telescópio Hubble. A importância da descoberta foi descrita por Paul Kalas, um dos astrônomos. “Eu quase tive ataque cardíaco quando vi o planeta”.

Com José Antonio Lima

As dez mais de 13 de novembro

Qui, 13/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

Economia
1. A hora e a vez dos bancos públicos
A fusão entre o Itaú e o Unibanco vinha sendo o principal assunto no mercado bancário nos últimos dias. Agora, os bancos públicos começam a dar resposta. Com a aprovação da Medida Provisória 443 na Câmara, o Banco do Brasil passa a ter o direito de adquirir outras instituições financeiras ou empresas em dificuldade. O governo usa o discurso anticrise para justificar a MP; na verdade, tratava-se de uma antiga reivindicação do BB, que se vê livre para comprar o banco estatal paulista Nossa Caixa e se fortalecer na busca por recuperar a liderança entre as instituições financeiras nacionais. Uma medida mais claramente voltada à crise, como informa a Folha (para assinantes), foi a liberação de linhas de crédito da Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 2 bilhões, para pequenos e médios varejistas. A intenção é garantir um índice razoável de consumo no fim do ano, focando no consumidor de baixa renda.

2. Mudança no pacotão americano: foco, agora, é o consumo
A preocupação com os níveis de consumo também está na pauta do governo americano. O secretário de Tesouro, Henry Paulson, anunciou ontem uma mudança de estratégia no combate à crise financeira: o pacote de salvamento, estimado em US$ 700 bilhões, terá como foco os consumidores, não mais os créditos podres do setor imobiliário. Cerca de US$ 50 bilhões serão investidos em novas linhas de empréstimo, a serem oferecidas por administradoras de cartão de crédito, financeiras de universitários e também para a compra de automóveis. A nova diretriz não agradou muito os investidores: o índice Dow Jones caiu quase 5% ontem, e só os papéis do Citigroup recuaram mais de 10%. Mas Paulson não parece preocupado, como relata o diário britânico Financial Times. Para o secretário, o momento é o mais adequado para agir no setor de consumo. “Nunca vou me desculpar por mudar uma estratégia quando os fatos também mudaram.”

3. A concordata da GM seria mesmo uma tragédia?
Uma análise publicada no jornal The New York Times questiona se uma eventual concordata da montadora americana General Motors causaria realmente um impacto muito negativo na economia. “Especialistas acreditam que a concordata seria dolorosa, mas preferível ao socorro vindo do pacote de salvamento do governo, que só iria adiar os passos necessários para a GM se tornar uma companhia mais forte e eficiente.” Um exemplo de que o mal não seria tão grande é que os acionistas da empresa não teriam mais muita coisa a perder com a concordata, pois o valor de seus papéis já caiu 90% nos últimos doze meses. E as obrigações financeiras com aposentadorias são, em grande parte, custeadas pelos próprios aposentados. Claro, concordata não é o melhor dos mundos, e algumas coisas têm de ser levadas em conta. Uma pesquisa feita com 6 mil consumidores afirma que 80% deles mudariam de montadora caso a GM ou a Ford fossem à lona.

4. Petrobras quer acelerar exploração do pré-sal
Uma empresa que obtém lucro líquido recorde de R$ 10,8 bilhões no terceiro trimestre certamente não está mal, mas nem por isso a Petrobras está dando as costas para a crise. Prova disso, segundo a Folha (para assinantes), é que a estatal decidiu encerrar a primeira fase de pesquisa das camadas do pré-sal e vai partir para a exploração a partir de 2012. O diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, não disse abertamente que a situação econômica internacional levou a Petrobras a acelerar esse processo, mas confirmou que o esforço da companhia é investir nos projetos que possam gerar caixa mais rapidamente.

5. O dinheiro dos royalties petrolíferos começa a minguar
Se a Petrobras ainda está conseguindo passar razoavelmente incólume pela crise, alguns municípios, principalmente no Rio de Janeiro, já têm motivo para se preocupar. O Valor Econômico (para assinantes) informa que a queda nas cotações do óleo deve causar uma redução de até 25% nas transferências feitas pelas petrolíferas para direito de exploração (os chamados royalties). Essa fonte de receita, para algumas cidades, é fundamental. No orçamento de 2009, o Estado do Rio de Janeiro previa R$ 5,8 bilhões em royalties. Caso o aumento da produção da Petrobras não compense os preços em baixa, o valor pago poderá ficar entre R$ 4,5 bilhões e R$ 5 bilhões.

Política
6. Parlamentar infiel já pode ser cassado, diz STF

Uma decisão do Supremo Tribunal Federal abriu caminho para cerca de 2 mil cassações de vereadores, deputados estaduais e federais que trocaram de partido sem justificativa. Ontem, a Corte julgou constitucionais duas resoluções do Tribunal Superior Eleitoral que regulamentam o processo de perda de mandato por infidelidade partidária. Para os ministros do Supremo, o Judiciário pode deliberar sobre processos eleitorais quando o Legislativo se omite. Em outubro de 2007, como lembra o Estadão, o Supremo já havia determinado que o mandato pertence aos partidos, não ao político que o ocupa. É notória a capacidade dos parlamentares de adiarem o quanto podem o cumprimento de normas que restrinjam sua ação (a suspensão do nepotismo é uma delas), mas ao menos um passo importante foi dado para abolir o tradicional troca-troca partidário.

Previdência
7. O dilema do reajuste nas aposentadorias

O Globo dá manchete nesta quinta-feira para um projeto - aprovado numa comissão do Senado - que garante a aposentados e pensionistas a recuperação do poder aquisitivo que eles tinham à época de sua entrada com pedido de aposentadoria. Não há um cálculo fechado sobre qual seria o impacto dessa medida no caso de se tornar lei, mas a estimativa é que chegue a R$ 9 bilhões por ano. Se nenhum senador se manifestar contra o projeto, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), o texto segue para a Câmara, mas não deverá vingar. Não porque a proposta não tenha seus méritos, mas é inviável um gasto adicional desse porte num sistema previdenciário que registrou um rombo de R$ 32 bilhões nos últimos 12 meses. Tanto que nem os governistas aprovaram a idéia do senador petista. Frase da líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC): “Daqui a pouco será preciso criar uma República só para os projetos do Paim.”

Religião
8. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina nesta quinta-feira, em Roma, um acordo com o Vaticano para regulamentar a atuação da Igreja Católica no Brasil.

Segundo a oficiosa Agência Brasil, o documento foge de assuntos polêmicos, como a influência católica sobre temas como o aborto, a pesquisa com células-tronco e a união civil gay. Seria algo mais protocolar, como a formalização do respeito ao segredo da confissão e a caracterização do sacerdócio como atividade sem vínculo empregatício. Uma aproximação tão grande com o Estado que representa o catolicismo, porém, sempre causa certa apreensão em relação ao princípio do Estado laico, desvinculado de qualquer religião. Pode até ser mesmo um acordo sem grandes conseqüências, mas dá abertura para críticas de praticantes de outros credos no país.

Ciência
9. Transplante de medula pode ter curado homem com aids

Um caso ocorrido no hospital Charité, em Berlim, está chamando a atenção da comunidade médica. Um americano que sofria de leucemia e aids passou por um transplante de medula e se curou - das duas doenças. De acordo com a BBC Brasil, os médicos realizaram vários tipos de testes com o paciente e não detectaram a presença do vírus HIV, causador da aids. Os médicos afirmaram, no entanto, que não é possível descartar a possibilidade de que o vírus ainda esteja presente no corpo do homem e possa voltar a se manifestar no futuro. Ao que parece, o morador de Berlim tem uma espécie de resistência genética ao HIV, um fenômeno raro que já foi estudado na Europa e nos EUA. Resta saber se, a partir dessa experiência, surgirá uma nova técnica para combater a doença, que continua matando milhões de pessoas por ano, especialmente na África.

Mundo
10. A reconstrução do partido Republicano

Depois da dura derrota de John McCain para Barack Obama nas eleições presidenciais do início do mês, o Partido Republicano estuda formas de se reerguer, segundo o The Wall Street Journal. O encontro de governadores republicanos que está sendo realizado em Miami tem esse desafio como tema central, mas poucas são as idéias até aqui. Mark Sanford, governador da Carolina do Sul, afirmou que o partido está como uma grande empresa que teve sua imagem manchada e que precisa “voltar para suas raízes”. Para ele, o maior exemplo de distanciamento das origens do partido foi o pacote de US$ 700 bilhões contra a crise. Ainda que retome suas origens, o partido precisará se desvencilhar da péssima imagem de George W. Bush e se fechar em torno de uma figura que una a legenda - algo que não existe atualmente. E essa figura, quando surgir, terá que disputar a eleição contra o fenômeno Barack Obama. Não vai ser fácil.

Com José Antonio Lima

As dez mais de 12 de novembro

Qua, 12/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Lula pode ensinar “uma coisa ou duas” a Obama
Por esta, nem Lula esperava. O jornal americano The Christian Science Monitor, que realiza uma série de reportagens especiais sobre o Brasil, abre a desta quarta-feira falando sobre as semelhanças entre Lula e Barack Obama (ambos vieram da pobreza e da esquerda política) e dizendo que o brasileiro pode “ensinar uma coisa ou duas” ao americano quando os dois se encontrarem. O jornal fala da melhora na economia brasileira, da liderança em setores como agricultura e política social e diz que, como Obama pretende, Lula governa a partir do centro. Para o Monitor, se Lula mantiver um nacionalismo saudável, atrairá o apoio de Obama, e, como os EUA e o Brasil têm muita coisa em comum, “a divisão da liderança global” será inevitável. Alguém segure o ego de Lula, porque esse é um elogio nunca antes visto neste país.

2. Consumidor emergente pode tomar lugar do consumidor americano
Uma reportagem do jornal The New York Times mostra que os efeitos da crise na economia real não são pequenos nem passageiros. A crise abalou a confiança do consumidor americano, um setor fundamental da economia mundial, de uma forma que não é mais possível esperar a recuperação a curto prazo. O jornal lembra que a venda de veículos caiu 32% no terceiro quarto do ano e que os gastos do consumidor devem ter a primeira queda desde 1980, e a mais alta desde 1942, provavelmente da ordem de US$ 400 bilhões. O que resta é saber como o governo de Barack Obama vai lidar com essa situação e se seu carisma pessoal pode ajudar. Pesquisas mostram que a recessão do consumo vai continuar em 2009, e, assim, os gastos dos consumidores dos países emergentes, que continuam crescendo, poderão ter papel determinante para evitar uma recessão global.

3. Nossa Caixa libera R$ 4 bi para montadoras
A Folha (para assinantes) destaca hoje a liberação, por parte do governo paulista, de R$ 4 bilhões em empréstimos para montadoras. O valor, que será repassado por meio da Nossa Caixa, é o mesmo que o Banco do Brasil vai oferecer. Como lembra o colunista Vinicius Torres Freire (também para assinantes), o movimento do governo José Serra e do governo federal é feito por uma clara necessidade de evitar o efeito devastador que a paralisação de fábricas teria - na economia e nas urnas. O jornalista lembra, no entanto, que esse valor sustenta o crédito para o consumidor por apenas dois meses, e que não deve ter efeito a longo prazo.

4. Crise. Que crise?
Com destaque para o aumento das produções de petróleo (5%) e de gás natural (22%) e o aumento da venda de derivados, a Petrobras registrou lucro líquido recorde no terceiro trimestre, de R$ 10,852 bilhões. Segundo o Valor Econômico (para assinantes), a boa notícia é comemorada em tempos de crise, mas a turbulência econômica não tem afetado tanto a estatal. Como todo cuidado é pouco em momentos como este, o diretor financeiro da empresa, Almir Barbassa, confirmou que os investimentos no pré-sal estão mantidos, mas apenas para depois que a crise passar. Enquanto isso, a Petrobras trabalha com produtos de fabricação e venda mais rápida, para reforçar o caixa. Ao que parece, a estatal vai passar incólume pela crise.

Brasil
5. Dantas pede suspensão da ação penal

O fenômeno bizarro em que se transformou a Operação Satiagraha, na qual o investigador tem que dar mais respostas do que o investigado, parece que fica cada vez mais favorável a Daniel Dantas. São tantas irregularidades cometidas pela Polícia Federal que, como mostra o Estadão, a defesa do banqueiro está pedindo a suspensão da ação penal em que ele é acusado de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, fraude financeira e formação de quadrilha. A alegação, ao que parece bem embasada, é que a participação de agentes da Abin compromete os resultados da operação. Assim, as esperanças de investigação sobre os crimes de que Dantas é acusado segue nas mãos do delegado Ricardo Saadi, que herdou o caso e disse a ÉPOCA (para assinantes) que vai demorar para refazer “o trabalho mal feito”.

6. Filantropia para as entidades filantrópicas
O jornal O Globo deu manchete nesta quarta-feira para uma nova Medida Provisória do governo Lula que dá uma espécie de anistia para 2,2 mil entidades beneficentes suspeitas de fraudar o governo para obter ou renovar seus títulos de filantropia. Lamentáveis são os fatos de que a MP vai ajudar centenas de entidades que foram investigadas pela Operação Fariseu da Polícia Federal, realizada em março, e vai passar tranqüilamente pelo Congresso, como todas. A situação foi resumida pelo procurador da República Pedro Antônio Machado. Para ele, “só será beneficiado quem cometeu fraudes”. Esse conjunto de fatores parece justificar o “chapéu”, a palavra que abre a matéria, usado pelo Globo: “pilantropia”.

Mundo
7. Obama vai mudar chefia da inteligência americana
Barack Obama, presidente eleito dos Estados Unidos, deve nomear novos nomes para os dois cargos mais importantes da inteligência americana. Para alguns democratas, a substituição é bem-vinda porque Mike McConnell, diretor do Serviço Nacional de Inteligência, e Michael Hayden, diretor da agência de inteligência americana (CIA), apoiaram ações, no mínimo, controversas – como tortura no interrogatório e quebra de vigilância telefônica – durante o mandato de George W. Bush. Os dois gostariam de se manter no cargo, segundo reportagem do The Washington Post, e alegam que a saída poderia gerar precedentes para substituições automáticas por qualquer presidente eleito, o que não é uma praxe nos Estados Unidos. Com os resultados discutíveis das ações no Iraque, é muito difícil que consigam.

8. ONU pede reforço de tropas na República Democrática do Congo
A BBC noticia hoje que Alain Le Roy, chefe da Monuc, a missão da ONU na República Democrática do Congo, pediu reforço de pelo menos três mil homens para proteger os civis da violência (leia-se saques e estupros) cometida por rebeldes e pelo exército congolês no leste do país. A Monuc tem 17 mil homens na R.D. Congo, a maior missão do mundo, mas apenas nove mil na região que convive com o conflito nos últimos dias - isso dá uma proporção de um soldado para cada mil habitantes. De acordo com a ONU, desde que a CNDP, força rebelde que alega proteger a etnia tutsi, começou a tomar cidades no país, mais de 250 mil pessoas se tornaram refugiadas, e cerca de 100 mil estão em locais onde agências humanitárias não conseguem entrar. O recado foi dado pela chefia da Monuc. Falta agora o mundo esquecer um pouco a crise econômica e lembrar que existe na África uma país com 62 milhões de habitantes e com uma área cinco vezes maior que a da Espanha precisando de ajuda. Muita ajuda.

9. Brasil perde até de Uganda no ranking de igualdade entre os sexos
Três países nórdicos – Noruega, Suécia e Finlândia – têm a menor desigualdade entre homens e mulheres, segundo reportagem da BBC. O ranking, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, mediu a participação dos gêneros na política e na economia e seus níveis de educação e de saúde. A desigualdade entre homens e mulheres diminuiu na maioria das áreas pesquisadas e isso, segundo o estudo, é importante para melhorar o desempenho econômico mundial. “Os países que não sabem aproveitar a metade feminina de seus recursos humanos correm o risco de perder seu potencial competitivo”, afirma o relatório. Portanto, se quiser sair bem da crise financeira, o Brasil deve melhorar também nesse quesito: ficou em 72º lugar no ranking, atrás de países como Uganda, Tanzânia e Namíbia. Na América do Sul, a mais bem colocada é a Argentina, na 24ª posição.

Tecnologia
10. Google contra as epidemias

A maior ferramenta de busca na internet deu origem a um novo sistema de alerta para surtos de gripe, chamado Google Flu Trends, noticia reportagem do jornal The New York Times. O mecanismo funciona juntando registros de buscas sobre gripes e seus sintomas realizadas por usuários em todo o território americano. Com isso, o Google pretende ter informações sobre a disseminação da doença antes mesmo do Centros para Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos. O sistema é uma das primeiras iniciativas para usar a “inteligência coletiva” da internet e detectar tendências, mas gera preocupação por conta da privacidade dos usuários. Segundo o Google, esse risco não existe porque as informações divulgadas são coletivas e não permitem rastrear os indivíduos.

Por José Antonio Lima e Letícia Sorg

As dez mais de 11 de novembro

Ter, 11/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Afinal, há crédito ou não?
A seqüência de manchetes de jornais sobre o problema de crédito no mercado financeiro do Brasil pode trazer confusão, dada a alternância de situações. Tudo depende do ponto de vista da fonte consultada. Essa situação ficou nítida nesta terça-feira. A Folha (para assinantes) foi atrás dos bancos e ouviu deles que o volume em reais circulando na praça não será suficiente para atender à demanda, que cresceu com a falta de linhas de empréstimo em dólar. Fábio Barbosa, presidente da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), garante que as instituições não estão “escondendo dinheiro”, ou seja, não há recusa em emprestar dinheiro. Agora, o outro lado: o Estadão ouviu o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que cumpriu sua função de transmitir otimismo ao mercado, mesmo que talvez não haja motivo para tanto. Segundo ele, o crédito será retomado aos poucos, e as medidas do governo começam a surtir efeito.

2. Montadoras prevêem 2009 “estacionado” no Brasil
Discussões sobre crédito à parte, o fato é que alguns importantes setores da indústria brasileira estão passando por dificuldades. As montadoras, por exemplo, sabem que não conseguirão repetir, em 2009, o ritmo acelerado de crescimento. A aposta da GM brasileira para o ano que vem é de uma produção de 3,5 milhões de unidades, o mesmo montante previsto neste ano - ou seja, será “crescimento zero”, como diz o Valor Econômico (para assinantes), numa forma menos agressiva de dizer “estagnação”. Boa parte das fábricas já anunciou férias coletivas para seus funcionários, em razão dos grandes estoques de carros nos pátios. É um momento ruim, mas não tanto quanto o observado nos EUA, onde há um sério risco de as montadoras quebrarem.

3. E, nos EUA, devem receber ajuda do governo
A visita do presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, ao atual ocupante do cargo, George W. Bush, não foi apenas protocolar. Segundo o The New York Times, ele enfatizou a Bush a necessidade de um pacote de emergência para socorrer o agonizante setor automobilístico. As ações da GM na Bolsa de Nova York caíram ontem para a menor cotação desde 1946. Bush, porém, deve condicionar a inclusão das montadoras no pacotão da economia, estimado em US$ 700 bilhões, à aprovação, no Congresso, de um acordo de livre-comércio com a Colômbia - que vem sendo barrado há algum tempo pelos democratas. Como o partido de Obama não parece muito disposto a mudar sua opinião, é possível que a intervenção do governo no setor automobilístico fique mesmo para janeiro, quando ele toma posse. Depois do êxtase nas urnas, Obama começa a sentir o gosto amargo de pegar uma economia abalada.

4. Gigante do varejo americano pede concordata
Mais um indicador de que a crise nos Estados Unidos ainda provoca muitos estragos: a rede Circuit City, maior varejista de eletrodomésticos do país, pediu ontem concordata. O diário britânico Financial Times diz que a empresa tentou, sem sucesso, “convencer os fornecedores a manter os estoques das lojas” para os próximos meses. Na prática, os fabricantes de eletro-eletrônicos perderam a confiança porque as vendas desabaram. A razão está na diminuição do uso de cartões de crédito pelos clientes, forma de pagamento que respondia por 75% dos negócios da rede. A Circuit City, que espera sair no ano que vem da proteção dada pelo pedido de concordata, deve fechar 155 de suas 700 lojas espalhadas pelo país para reduzir custos. Pelo jeito, não será o último gigante a tropeçar…

5. Para UE, Brasil vai se firmar como “gigante exportador”
Uma projeção sobre a economia global, feita pela União Européia, traz uma boa notícia para o Brasil, em tempos de incerteza por conta da crise: o país deve se consolidar como um “gigante exportador” até 2017, principalmente no setor agrícola. Segundo o Valor Econômico (para assinantes), o país vai ampliar seu domínio nas vendas de oleaginosas (como a soja), açúcar, etanol, carnes bovina e de frango. No caso do álcool de cana, a previsão dentro de dez anos é que se estabeleçam dois grandes atores mundiais: Brasil (exportador) e EUA (importador).

Investigação
6. Apreensão de documentos pela PF irrita a Abin

A relação entre a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que já não andava muito boa, piorou por conta da apreensão de documentos, por policiais federais, de documentos considerados estratégicos pela agência. A Folha (para assinantes) informa que, entre os papéis recolhidos pelo inquérito que apura o vazamento de informações na Operação Satiagraha, há dados sobre “exploração mineral no país, controle de fronteiras, espionagem internacional e contra-espionagem, além de trabalhos voltados ao monitoramento de movimentos sociais e terrorismo”. Os arapongas acham que a ação da PF foi exagerada e os expôs de forma irresponsável. Por isso, ameaçam revidar, ou seja, vazariam informações sigilosas de agentes da PF. O governo precisa agir logo para evitar esse fogo cruzado bem debaixo do nariz.

Sociedade
7. A incrível guerra das vagas de carros nas ruas do Rio

Parece (e deveria ser) uma coisa secundária, mas a disputa pelo controle de vagas de carros nas ruas do Rio de Janeiro revela sérios problemas de civilidade, algo comum em várias outras instâncias do país. A história é a seguinte: a empresa Embrapark venceu uma licitação para operar o novo sistema de estacionamento público na zona sul da cidade, depois de denúncias de fraudes nas emissões de talões por parte de guardadores autônomos (os flanelinhas). Os funcionários da Embrapark começaram a trabalhar ontem, mas houve vários registros de intimidação. Testemunhas dizem que até um homem armado circulou pela região, ameaçando quem comprasse o talão da empresa. Na dúvida e com medo, alguns motoristas colocaram dois talões no carro, informa O Globo. Os guardadores dizem que a licitação vencida pela Embrapark foi irregular, o que precisa ser investigado. Mas nada justifica a truculência para se manter “dono” de uma vaga…

Saúde
8. Droga reduz risco cardíaco para quem tem colesterol baixo

A informação está na Folha (para assinantes). Um estudo americano sugere que o uso de estatinas, até então restrito a pacientes com colesterol alto para prevenir doenças cardíacas, pode reduzir em até 44% o risco de problemas cardiovasculares para pessoas com níveis normais ou baixos de colesterol. Mas cardiologistas ouvidos pelo jornal foram cautelosos em relação à possibilidade de expandir o uso do medicamento. “Seria uma maravilha se não existissem efeitos colaterais. As estatinas podem causar dores musculares e sobrecarga hepática. Isso precisa ser monitorado constantemente, e deve prevalecer o bom senso”, diz Marcelo Sampaio, do Instituto Dante Pazzanese. Outro problema é o custo: uma caixa com 30 comprimidos de 20 mg de um tipo de estatina sai por cerca de R$ 150, e o remédio não é distribuído pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Mundo
9. Obama pretende fechar Guantánamo o quanto antes

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deve empreender, logo no início de seu mandato, um esforço para julgar, nos Estados Unidos, parte dos cerca de 250 detentos da Base de Guantánamo, algo que o atual presidente, George W. Bush, resiste a fazer. Seria o primeiro passo para o fechamento da prisão, sobre a qual Obama já disse ser um “capítulo triste na História americana”. Segundo a BBC Brasil, entre 60 e 80 prisioneiros já foram julgados ou deverão passar por tribunais militares especiais, mas aqueles que ainda não foram a júri por falta de provas estariam sujeitos a ficar detidos por tempo indeterminado. São imprevisíveis os obstáculos que Obama terá para desativar Guantánamo; se conseguir, terá feito um grande serviço à humanidade.

História
10. Fim da 1ª Guerra Mundial completa 90 anos

Hoje está fazendo 90 anos do encerramento de uma das grandes tragédias do século XX: a Primeira Guerra Mundial, que deixou cerca de 20 milhões de mortos entre 1914 e 1918. O conflito redesenhou o mapa da Europa após a queda do Império Austro-Húngaro e o surgimento da União Soviética. Na França, o presidente Nicolas Sarkozy foi a Verdun, no nordeste do país, para participar de uma cerimônia em memória à batalha que se deu na região, contra o Exército alemão, que resultou em 130 mil mortos. Outras solenidades estão ocorrendo em várias partes do mundo. Um blog do jornal britânico The Guardian traz uma cobertura completa das homenagens, minuto a minuto.

As dez mais de 10 de novembro

Seg, 10/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Contra a crise, G-20 propõe mais gastos
O encontro de representantes do G-20, grupo de países que detém cerca de 85% da economia mundial, terminou ontem em São Paulo com duas propostas básicas contra a crise financeira global: reduzir ao máximo os juros básicos e incentivar o crescimento por meio de pacotes de estímulo fiscal, no caso de países que estejam com suas contas públicas em boa situação. Tudo isso deverá ser levado à reunião de cúpula do G-20, que ocorre em Washington na próxima semana. Para a analista Sheila D’Amorim, em artigo na Folha (para assinantes), essa combinação de expansão fiscal e monetária “mexe com fantasmas de um passado muito recente” das economias emergentes, como o Brasil, e, por isso, deve ser tratada com cautela. Mesmo que essas medidas sejam tomadas em caráter temporário, é evidente que há um risco de descontrole inflacionário. Não há remédio que não seja amargo.

2. Pacote chinês anima mercados…
A China não ficou só nas intenções de recuperar a economia e já anunciou um grande pacote de investimentos, estimado em US$ 586 bilhões para os próximos dois anos. O foco do dinheiro chinês serão as obras de infra-estrutura, habitação e de reconstrução das áreas atingidas por um forte terremoto em maio. Além disso, haverá cortes em impostos para empresas e os bancos terão mais liberdade para conceder empréstimos a projetos de desenvolvimento rural. Como informa a BBC Brasil, o anúncio já trouxe reflexos positivos para as bolsas asiáticas nesta segunda-feira. Em Xangai, o pregão subiu 7,3%; em Tóquio, 5,8%; e Hong Kong, 3,39%.

3. E está para sair um pacotão de ajuda à AIG
Está difícil de a AIG, até pouco tempo uma referência no mercado de seguros, se manter em pé sem o amparo da muleta pública. O The Washington Post informa que o governo americano está finalizando um novo plano de ajuda à seguradora, que deve ser anunciado ainda hoje. “Ficou claro que o plano de salvamento original, lançado em setembro, falhou na tentativa de estabilizar as finanças da gigante do setor”, diz o jornal. Num primeiro momento, o Tesouro americano ofereceu um empréstimo de US$ 85 bilhões, que posteriormente foi elevado para US$ 143 bilhões. Agora, o governo fala em liberar US$ 150 bilhões, em condições ainda mais facilitadas para a AIG, que terá mais tempo para pagar o empréstimo. Será a última ajuda?

4. Lula autoriza compra da Nossa Caixa pelo BB
É o que diz uma reportagem da Folha (para assinantes). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já teria dado sinal verde à compra da Nossa Caixa, instituição financeira sob controle do governo de São Paulo, pelo Banco do Brasil. O negócio deve ser fechado nesta semana, com um valor estimado em R$ 6,4 bilhões. O interesse do BB pela Nossa Caixa é sabido há algum tempo, e só aumentou quando o Itaú e o Unibanco anunciaram a fusão, fazendo com que o BB perdesse o posto de maior banco do país. E o governador José Serra (PSDB) está interessado em vender a Nossa Caixa para, com o caixa cheio, viabilizar investimentos em 2009 e 2010.

Política
5. Serra se arma para a disputa do Planalto em 2010

Falando no governador paulista, o Valor Econômico (para assinantes) dá manchete dizendo que o Estado está investindo mais que o governo federal e seu Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). No ano passado, São Paulo aplicou R$ 9 bilhões em projetos, ao passo que a União liberou R$ 8 bilhões. Até outubro deste ano, o investimento paulista foi de R$ 12,7 bilhões; o do governo federal, R$ 8,2 bilhões. Tudo isso, segundo o jornal, demonstra que Serra “trabalha obstinadamente para construir sua plataforma de campanha”, na tentativa de chegar ao Palácio do Planalto nas eleições de 2010. A venda da Nossa Caixa seria mais uma arma para aumentar as receitas, sem contar o rígido controle de despesas, que inclui o arrocho salarial do funcionalismo.

6. Deputados do DF querem mais de R$ 100 mil para gastos com gabinete
Em tempos de crise financeira, os deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal não parecem muito preocupados. Segundo O Globo (íntegra para assinantes), eles pretendem, até o fim do ano, aprovar uma verba de R$ 99,8 mil mensais, por deputado, com gastos de gabinete. Somada a verba indenizatória de R$ 11, 2 mil, são R$ 111 mil. E isso porque os distritais têm uma agenda parlamentar mais parecida com a de uma câmara de vereadores. Mesmo assim, já contam com R$ 88,7 mil para a contratação de cerca de 20 assessores de sua escolha - valor superior aos R$ 80 mil a que têm direito os deputados federais para despesas de gabinete.

Justiça
7. PF vai indiciar delegado do caso Dantas

Pode até não ser perseguição, como alega o delegado federal Protógenes Queiroz, mas o fato é que a Corregedoria da Polícia Federal está tratando com rigor máximo as acusações de que ele teria cometido abusos na condução das investigações da Operação Satiagraha, que levou à prisão, por duas vezes, do banqueiro Daniel Dantas. Tanto que vai indiciá-lo por cinco crimes: quebra de sigilo funcional, desobediência, usurpação de função pública, prevaricação e violação telefônica. Somadas, as penas mínimas chegam a três anos e meio de cadeia, como informa O Globo (íntegra para assinantes). A principal acusação contra Protógenes é que ele teria feito uso ilegal de agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na operação. Por outro lado, diz a reportagem, procuradores do Ministério Público Federal e juízes federais de São Paulo estariam indignados “com irregularidades e arbitrariedades que a PF teria cometido ao apurar os supostos crimes de Protógenes”, como a suspeita de monitoramento de telefones celulares de repórteres sem autorização judicial.

8. Vannuchi: “Mendes não pode ser simpático à ditadura”
O presidente Lula já mandou parar, mas alguns integrantes do governo parecem ter uma comichão em manter a polêmica sobre julgar ou não crimes de tortura cometidos durante o regime militar. Um deles é o secretário especial de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. Em entrevista ao Estadão, ele reacendeu o fogo ao dizer que o presidente do Supremo tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, “não pode ser simpático à ditadura”. Foi uma resposta irritada à declaração de Mendes de que crimes de terrorismo também são imprescritíveis - aliás, para ter uma idéia do bate-boca, a opinião do chefe do Supremo já era uma reação irônica à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao dizer que crimes de tortura não poderiam ser prescritos (Dilma fez parte da luta armada contra a ditadura). Na entrevista, Vannuchi questiona: “Quem são os terroristas? Os que lutaram contra uma ditadura que matava, torturava? Os que lutavam contra um evidente terrorismo de Estado?” A declaração de Gilmar Mendes pode ter sido mesmo infeliz, mas a discussão - importante, diga-se - poderia ser mais proveitosa se não fosse tão marcada por destemperos públicos de ambas as partes.

9. EUA: licença para atacar
Uma reportagem do The New York Times diz que, desde 2004, o Exército americano teve autorização secreta da Casa Branca para promover ao menos 12 ataques contra supostos terroristas da Al-Qaeda no território de 15 a 20 países, a maioria deles no Oriente Médio e na Ásia Central, como Síria, Paquistão e Iêmen. Essas incursões passavam pelo crivo de altas instâncias do governo americano, mas em geral nenhuma autoridade internacional era consultada. E a permissão servia até mesmo para ataques em países com os quais os EUA não estavam oficialmente em guerra. Se for comprovada essa ordem secreta, é mais uma demonstração de que o governo Bush promoveu uma investida desordenada contra o terror, muitas vezes esbarrando em problemas diplomáticos.

10. Obama e a primeira visita à nova casa
O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, vai conhecer mais a fundo, nesta segunda-feira, sua futura morada nos próximos quatro anos: a Casa Branca. Ele se encontra com o atual presidente, George W. Bush, que apresentará a residência oficial e também os problemas que lhe serão herdados a partir de 20 de janeiro de 2009. Segundo a Reuters, essa visita faz parte da história presidencial americana, mas o incomum é a antecedência com a qual ela será feita - “em parte por causa da severidade da crise econômica”.

As dez mais de 7 de novembro

Sex, 07/11/08
por Juliano Machado |
categoria 10 Mais

1. Os desmandos da Satiagraha ressurgem
Está na manchete da Folha (para assinantes) a informação de que a Polícia Federal quebrou, sem autorização judicial, o sigilo telefônico de aparelhos Nextel de jornalistas da TV Globo (sem citar nomes) para tentar descobrir se o delegado Protógenes Queiroz, que comandava a Operação Satiagraha, avisou repórteres sobre a ação policial. A reportagem diz que “outras autoridades do caso foram consultadas pela PF sobre a quebra de sigilo telefônico dos jornalistas que estavam nos locais de busca, e se opuseram ao pedido, entendendo que tal iniciativa violaria o direito constitucional de sigilo da fonte”. Mesmo assim, a PF encaminhou um ofício à Nextel, sem aval da Justiça, e conseguiu da operadora os números de identificação dos celulares e de antenas, o que permite a localização física do cliente.

2. STF decide que Daniel Dantas seguirá livre
Principal alvo da Satiagraha, o banqueiro Daniel Dantas recebeu ontem do Supremo a garantia de que continuará solto (ele foi preso preventivamente duas vezes) e que terá o direito de acessar o inquérito no qual é acusado de crimes financeiros. Durante a sessão no STF, conta o Estadão, os ministros fizeram duras críticas à ação dos envolvidos na Satiagraha, principalmente o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, que determinou as prisões. “Os juízes, muitos noviços, não são corregedores do Supremo Tribunal Federal”, disse o vice-presidente da Corte, Cezar Peluso, sobre a insatisfação demonstrada por De Sanctis quando o presidente Gilmar Mendes ordenou a libertação de Dantas. E o governo decidiu manter o delegado federal Paulo Lacerda afastado do comando da Agência Brasileira de Inteligência por mais 60 dias. Ele era uma espécie de chefe informal da Satiagraha.

Economia
3. O governo diz que não é pacote, mas tem cara de pacote

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou ontem cinco medidas para tentar melhorar a situação financeira das empresas brasileiras ante a crise econômica. A principal delas, e que já havia sido vazada à imprensa dias atrás, foi prorrogar por dez dias o prazo final de pagamento de impostos federais (PIS/ Cofins, IPI, IR e contribuição previdenciária). Além disso, o Banco do Brasil e o BNDES vão disponibilizar linhas de crédito totalizando R$ 19 bilhões para o setor produtivo, do micro ao grande empresário. O Correio Braziliense (para assinantes) ironizou o temor do governo com que as medidas não parecessem um pacotão. “Mantega se esforçou para não pronunciar a palavra ‘pacote’. Mas, a mando do presidente Lula, chamou a imprensa e anunciou algo muito parecido.

4. A derrocada do crédito ameaça o Brasil privado, diz a Economist
A revista britânica The Economist publica na edição desta semana uma reportagem sobre como a falta de crédito tem complicado a vida do empresariado brasileiro. “Os bancos estão cada vez mais desconfiados entre si”, diz o texto, que cita a fusão entre Itaú e Unibanco. Para a revista, o negócio pode ter agradado aos sócios das duas instituições, “mas não tirou ninguém da atenção do nervosismo generalizado”. Outro exemplo de tensão é o da Zona Franca de Manaus, onde várias companhias deram férias não-remuneradas a seus empregados, o que não ocorria havia três décadas.

5. Para Lamy, Brasil perde sem Rodada de Doha
Em entrevista ao Valor Econômico (para assinantes), o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, disse que o impasse nas negociações da Rodada de Doha vai trazer “custos evidentes” para o Brasil na venda de produtos agrícolas. Ele afirmou que apóia a idéia do Brasil de obter dos chefes de governo do G-20, no próximo dia 15, em Washington, o prazo de três semanas para que seus negociadores consigam chegar a um entendimento sobre Doha.

Diplomacia
6. Brasileiro Cançado Trindade é eleito para a Corte de Haia

O professor Antônio Augusto Cançado Trindade foi eleito ontem juiz da Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão judiciário da Organização das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda. Como lembra o jornal O Globo, a vaga de Trindade foi cobiçada pela ministra Ellen Gracie, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. Como a campanha de Trindade estava em curso havia mais tempo, o Brasil decidiu levar seu nome à ONU. De acordo com o Itamaraty, Cançado Trindade recebeu o apoio de 163 membros da Assembléia Geral da ONU e de 14 dos 15 integrantes do Conselho de Segurança. Avesso a entrevistas, ele foi juiz da Corte Interamericana de Direitos Humanos entre 1995 e 2006 e presidente do órgão entre 1999 e 2004. O juiz tomará posse em 2009 de um mandato de nove anos e será apenas o quinto brasileiro a nos representar em Haia.

Eleição americana
7. Obama começa a formar equipe de governo

Uma reportagem do jornal The Washington Post destaca nesta sexta-feira o início da formação do governo Obama, com o convite feito a Rahm Emanuel, um deputado democrata “linha dura”, para a chefia de gabinete da Casa Branca. A indicação foi criticada por republicanos, pois Obama prometeu governar “do centro” e sua primeira escolha é de um democrata com posições firmes e um histórico de ferrenhas disputas com adversários políticos. Na avaliação do Post, a escolha por Emanuel, que já trabalhou na administração Clinton, servirá para garantir experiência a Obama, que chega à Casa Branca sem nunca ter ocupado um cargo executivo. O primeiro desafio do novo presidente americano é formar um governo com secretários técnicos e lideranças políticas importantes, abrindo espaço para mulheres, representantes de minorias étnicas e até para republicanos e independentes. Não será fácil.

8. Gabeira, Obama e os independentes
O deputado federal Fernando Gabeira (PV), derrotado na eleição municipal do Rio de Janeiro, escreveu um artigo interessante para a Folha (para assinantes) sobre a vitória de Barack Obama. Para ele, o fator determinante foi a construção de pontes com os independentes – pessoas que não se identificam com nenhum partido e que estavam fartas de uma política falida e sem resultados. Esse mesmo grupo existe no Brasil, como lembra Gabeira. Aqui, porém, é maior ainda, pois em uma política tomada pelo fisiologismo em todos os níveis de poder, não dá para falar em ideologia. Gabeira também representava uma nova espécie política, diferente do quadro atual que temos – a polarização PT-PSDB, permeada pela colcha de retalhos sem ideologia que é o PMDB. O deputado também tentou atingir os independentes, mas não conseguiu. Resta saber se foi ele que usou a estratégia errada ou se são os eleitores que preferem a política como ela é hoje no Brasil.

Mundo
9. Relatório complica Geórgia no caso da Ossétia do Sul
O jornal The New York Times revelou hoje relatos independentes de observadores militares e civis que acusam o governo da Geórgia de mentir sobre o conflito com a Rússia, ocorrida em agosto. Na época, o presidente Mikheil Saakashvili afirmou que ataques realizados contra a província separatista da Ossétia do Sul, nos dias 7 e 8 de agosto, foram atos de defesa e de precisão, contra alvos específicos da Rússia na região. Segundo os relatos, feitos por um major do Exército finlandês, por um capitão da Força Aérea de Belarus e por um civil polonês, esses ataques, que iniciaram a guerra, foram realizados antes de qualquer ação militar contra vilas comandadas pela Geórgia, e boa parte dos foguetes, disparados com intervalos de 20 segundos, caiu em áreas civis. Aos poucos, a impressão de que a culpa da guerra não foi apenas da Rússia vai sendo reforçada. Saakashvili é um líder problemático que, ao que parece, colocou seu país em uma guerra contra a Rússia por motivos meramente políticos.

10. Governo do Congo diz que ONU não protege civis
A BBC Brasil informa que o governo da República Democrática do Congo (ex-Zaire) acusou as tropas da Organização das Nações Unidas (ONU) de não agirem para evitar a morte de civis no leste do país. Desde a semana passada, um grupo rebelde da etnia tutsi, liderado pelo general Laurent Nkunda, reiniciou os confrontos contra outro grupo rival, da etnia hutu, e a milícia Pareco Mai-Mai. Segundo Nkunda, essa milícia é apoiada pelo presidente Joseph Kabila, o mesmo que acusa a ONU de não impedir as mortes. Um porta-voz da ONU disse que não há como lutar contra rebeldes que se misturam a civis, pois há um enorme risco de inocentes morrerem. Nesta semana, uma luta entre o grupo de Nkunda e o Pareco Mai-Mai deixou pelo menos 12 mortos. De acordo com a BBC, os mortos foram executados pelos tutsis. O contingente da ONU no Congo é o maior do mundo. São 17 mil soldados. O problema é que essas tropas, que têm seu trabalho questionado em diversas partes do mundo, precisam controlar grupos rebeldes em um país com cinco vezes o tamanho da Espanha.

Com José Antonio Lima